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Amazônia / Animais

Chita, o animal mais rápido do mundo, está ameaçado, alertam cientistas

Estimativa é que a espécie está reduzida a uma população de apenas 7.100 animais, confinados em pequenas áreas que representam apenas 9% de seu território original

quarta-feira 28 de dezembro de 2016 - 6:45 PM

Estadão Conteúdo / portal@d24am.com

Equipe internacional de cientistas recomendou uma atualização da Lista Vermelha de espécies ameaçadas. Foto: Dai Kurokawa/EFE

Considerado o animal mais rápido do mundo, a chita – ou guepardo (Acinonyx jubatus) – está reduzida a uma população estimada em apenas 7.100 animais, confinados em pequenas áreas que representam apenas 9% de seu território original.

Os dados estão em um estudo publicado nesta terça-feira (27) na revista científica PNAS que traz a primeira análise sobre como a existência ou não de áreas protegidas interfere nos riscos de extinção do animal.

Com base nos resultados, a equipe internacional de cientistas, liderada por Sarah Durant, do Instituto de Zoologia de Londres,  recomendou uma atualização da Lista Vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) para considerar a chita como uma espécie em perigo de extinção.

Diversas pesquisas apontam que áreas da natureza sob proteção em geral colaboram para a conservação da biodiversidade, mas para animais como as chitas, que têm uma distribuição ampla e esparsa, somente essas regiões não são suficientes para garantir a manutenção da espécie.

Os pesquisadores analisaram a distribuição do animal pela África e pelo sudoeste asiático e, utilizando modelagem de cenários, estimaram que a maior parte da área de ocorrência  (77%) é fora de áreas protegidas. A estimativa é que 67% da população de chitas esteja nesses locais, sofrendo com ameaças como conflitos generalizado entre seres humanos e animais selvagens, a perda de presas por conta da caça excessiva, a perda e a fragmentação de hábitats e o comércio ilegal.

A equipe notou ainda que mais da metade da população mundial do felino está em uma única região na fronteira entre seis países no sul da África. A situação mais crítica é na Ásia, onde a área de ocorrência diminuiu 98%.

Os cientistas concluem alertando que os resultados apontam para a necessidade de uma mudança de paradigma nos conceitos de conservação de modo que ele tenha uma “abordagem mais holística”, que “incentive a proteção e promova uma coexistência sustentável entre humanos e vida selvagem através de grandes paisagens multi-uso” de modo a melhorar a sobrevivência fora das áreas protegidas.

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