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Amazônia / História

Estátuas e bustos de personalidades do AM estão abandonadas nas praças de Manaus

Especialista diz que geração amazonense que se interessava pela história está se dissolvendo.

domingo 10 de janeiro de 2016 - 10:00 AM

Girlene Medeiros - DEZ Minutos /

Pichados e sem conservação, monumentos estão esquecidos nas praças de Manaus. Foto: Eraldo Lopes

Manaus - Momentos da história do Amazonas podem ser recordados por meio de bustos e monumentos, instalados em praças de Manaus, que homenageiam personalidades que contribuíram ao processo histórico do Estado. No entanto, segundo historiadores, poucos moradores locais fazem questão de conhecer os homenageados da capital.

Ao ser questionado pela reportagem, o aposentado Edson Lima, 57, disse que conhecia o monumento em homenagem a Tenreiro Aranha, na Praça 5 de Setembro, mais conhecida como ‘Praça da Saudade’, no Centro, zona sul. Aranha foi precursor da luta pela emancipação do Amazonas da província do Grão-Pará. “Os outros monumentos e bustos eu não sei. Nessa correria, a gente vem ao Centro e nem lê realmente”, disse Edson, que ainda citou o monumento Abertura dos Portos, situado no Largo São Sebastião, em frente ao Teatro Amazonas, no Centro, construído para comemorar a abertura do Amazonas ao comércio exterior.    

A consultora de ótica Raylane da Costa Rodrigues, 18, trabalha com panfletagem, semanalmente, na Praça Heliodoro Balbi, mais conhecida como ‘Praça da Polícia’, na Avenida 7 de Setembro, também no Centro. Apesar de a praça ser um dos locais de trabalho dela, a consultora disse que desconhece os bustos existentes no local. “É importante conhecer a história, mas confesso que não me lembro de nenhum”, disse a jovem.

Para a vendedora Vanessa Gomes, 21, que também trabalha no Centro, os moradores locais não se interessam em prestar atenção aos bustos ou monumentos. “É mais turista que fica parando para ler as placas. O povo já não lê quando tem placas imagine quando não tem”, afirmou Vanessa, se referindo à estátua, produzida em ferro, de Diana Caçadora, ser mitológico.

Segundo o historiador Otoni Mesquita, assim como outras instaladas na Praça da Polícia, a estátua é uma réplica de estátuas expostas no Museu do Louvre, em Paris, na França.

De acordo com o historiador, a preservação da memória histórica não é prioridade da geração atual que está mais interessada em atividades voltadas ao consumismo e mundo virtual. “Há uma mudança de valores e a memória não é valorizada. As pessoas não se interessam e a geração que se interessava pela história está se dissolvendo”, afirmou.

Além das estátuas réplicas das expostas na França, também estão instalados na Praça da Polícia: o busto de José Maria Ferreira de Castro, autor do romance ‘A Selva’ sobre a Amazônia e ambientado em um seringal; busto de Dom Pedro I que foi inaugurado em 1972 em comemoração aos 150 anos da independência do Brasil; e uma placa apontando que a praça era o local onde se reunia os integrantes do Clube da Madrugada formado por intelectuais livres e pensadores relacionados à cultura e literatura.   
 
Vandalismo
Na praça em frente à Universidade do Estado do Amazonas (UEA) Escola Normal Superior, na Avenida Djalma Batista, zona centro-sul, há um busto homenageando um dos personagens históricos da história do Estado. No entanto, quem passa pelo local, não consegue saber quem é a personalidade. A placa está amassada e faltam algumas letras, dificultando saber a quem o busto se refere.

O motorista Francisco Rodrigues do Nascimento, 35, disse que já chegou a ver, em época de Carnaval, vândalos pintando o busto e colocando adereços carnavalescos. “Vi mais de uma vez. Pintaram com tinta e com batom, além de deixarem uma peruca na cabeça do busto”, disse.    

Em relação ao busto danificado Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) irá enviar uma equipe para avaliar os danos existentes na placa.

*Matéria atualizada às 12h05

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