comments powered by Disqus
Amazônia / História

Saudosismo e Zona Franca eram temas abordados no aniversário de Manaus há 30 anos

D24am resgata o acervo do jornal Diário do Amazonas para mostrar o que era notícia no passado

sábado 24 de outubro de 2015 - 5:54 PM

Patrick Marques / portal@d24am.com

Crônica 'Do Bonde ao Manecão' mostra as mudanças do cotidiano manauara causadas pela Zona Franca Foto: Reprodução
Manaus - A cidade de Manaus está completando 346 anos neste sábado, e a equipe do D24am recuperou matérias do acervo histórico do Diário do Amazonas, de 30 anos atrás, para mostrar o que  era notícia nos aniversários da capital amazonense de 1985 e 1986. A Zona Franca, que na época ainda não tinha completado 20 anos, era sempre um dos principais assuntos.
 
A crônica ''Do Bonde ao Manecão'', de 1986, fala sobre a saudade de uma antiga forma de se viver em Manaus. O título usa o transporte público da cidade, que antes era feio por meio dos bondes e depois passou a ser substituído pelos ônibus, chamados de 'Manecões', para traçar um paralelo entre os tempos mais antigos e aqueles que eram vividos em 1986.
 
''Manau, Manaós, Manaus. Foi muito além a modificação da paisagem urbana da cidade mais tropical do país. Que saudade da Manaus dos meus avós, pela memória do tempo e pelas histórias que todos contavam. Das calçadas tranquilas, com as cadeiras de vime para as conversas informais e livre divagações emotivas'' (Diário do Amazonas, 24 de outubro de 1986).
 
Para o historiador Otoni Mesquita, o que causou essa mudança na cidade, lembrada com saudade na crônica,  foi a implantação da Zona Franca.''A cidade se tornou uma forma de ganhar dinheiro. Antes as pessoas sentavam a frente das suas casas para conversar e com a Zona Franca na cidade as prioridades das pessoas viraram outras, como a economia, ter dinheiro, mudanças na paiságem, nos hábitos. Muito de como se vivia antes foi se perdendo e alterando a antiga identidade da sociedade em Manaus'', explicou o historiador.
 
E tido como a 'responsável' pela mudança da forma de viver do manauara, a Zona Franca, criada em 1967, era um dos principais assuntos nas matérias ''A Manaus da Zona Franca'' e ''Zona Franca - O que ficou?'', datadas de 1985, conforme trecho reproduzido abaixo. 
 
''Dezoito anos depois da implementação da Zona Franca, nada menos que 240 empresas estão instaladas e em pleno funcionamento, empregando 50.761 funcionários, segundo dados de janeiro de 1985. Outros projetos deverão gerar outros empregos. Todavia, na opinião do economista Serafim Corrêa, embora a Zona Franca de Manaus tenha sido criada para desenvolver a região, ela está servindo mais à São Paulo do que à Manaus" (Diário do Amazonas, outubro de 1985).
Naquela época, Serafim era um respeitado economista, mas ainda não havia exercido cargos políticos. Depois de se tornar secretário municipal, vereador e prefeito por um mandato, o hoje deputado estadual comentou sobre sua declaração na época e como está a situação hoje. '' A situação é praticamente a mesma. Menos que naquela época, a Zona Franca é mais de São Paulo do que de Manaus pois a renúncia fiscal que nos acusam é transferida para o consumidor final que está em São Paulo que o torna o sócio majoritário da Zona Franca''.
 
Personagem das matérias em 1985, Serafim fez comparações da realidade relatada nos jornais de 30 anos atrás com o atual momento vivido na capital amazonense. 
 
''Acredita-se que é possível oferecer ao restante do país, um modelo de desenvolvimento industrial e uma resposta aos descrentes da evolução da indústria local. Para a maioria enfim, a Zona Franca continua sendo um Sonho e Manaus a cidade sorriso'' (Diário do Amazonas, outubro de 1985).
 
''Hoje, Manaus não é uma cidade sorriso. Vivemos uma conjuntura muito adversa devido à crise e com isso as pessoas deixam de consumir os produtos produzidos na Zona Franca. Isso encadeou uma queda e deixou 30 mil desempregados, o maior número já registrado'', analisou. 
 
'''De uma população urbana de 200 mil habitantes, pulou-se, em 18 anos, para 800 mil. Era a ocupação desordenada que obrigava o Governo a ampliar suas metas de atendimento, nascendo daí uma nova cidade, de traçado moderno, que teme, contudo, que o sonho se acabe'' (Diário do Amazonas, outubro de 1985).
 
"Desde a sua implementação em Manaus, a Zona Franca continua nesse modelo temporário e  em 2014 foi prorrogada até 2076. O medo que esse sonho acabe ainda existe, mas temos 58 anos pela frente para que possa ser prorrogada cada vez mais. O que temos que fazer é continuar lutando contra as adversidades para que o sonho continue", completou Serafim.

VEJA TAMBÉM NO D24am