comments powered by Disqus
Amazônia / Meio Ambiente

Alerta estima segunda maior cheia histórica do Rio Negro em 2017, aponta CPRM

Com base na série histórica,  a cheia máxima pode ter alcance de 29.95 metros até junho deste ano, uma cheia considerada pelo CPRM extrema

sexta-feira 31 de março de 2017 - 11:35 AM

Gisele Rodrigues / portal@d24am.com

O Serviço Geológico do Brasil divulgou, nesta sexta-feira, o primeiro alerta de cheia do Rio Negro. Foto: Sandro Pereira

Manaus – O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) divulgou, nesta sexta-feira (31), o primeiro alerta de cheia do Rio Negro, que, segundo o órgão, deve ser a segunda maior cheia histórica, superando a de 2009. A cota máxima esperada para este ano é de 29,95 metros e a média de 29,60.

De acordo com as informações do CPRM, o primeiro alerta estima, com base na série histórica, que a cheia máxima alcance 29,95 até junho deste ano, considerada pelo CPRM extrema. A cota máxima prevista para este ano é 2,41 metros maior que a cheia do Rio Negro em 2016.

Caso a cheia fique dentro da média estimada (29,60), ainda pode ser 6ª maior, segundo apontou o órgão.

Conforme o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio Oliveira, não é comum o nível do rio alcançar a máxima esperada, no entanto, ele lembra que em 2012, ano da maior cheia, a cota alcançada ficou alguns centímetros abaixo  da máxima prevista pelo órgão.

Na manhã de hoje, no Porto Privatizado de Manaus, o Rio Negro estava 40 centímetros abaixo do nível registrado na mesma data de 2012, ano da cheia recorde.

No Porto Privatizado de Manaus, o Rio Negro estava 40 centímetros abaixo do nível registrado na mesma data de 2012
Foto: Arquivo D24am

De acordo com a pesquisadora em geociências do CPRM, Luna Alves, tem sido cada vez mais frequentes cheias e vazantes extremas nas últimas décadas. Segundo ela, a mudança no padrão de cheia está ocorrendo devido a alterações climáticas.

“Se eu pegar, em toda a série histórica, as dez maiores cheias, a gente observa que diversas delaS aconteceram nos últimos anos. Está mudando o padrão, seja pelas mudanças climáticas, mas nós não temos uma explicação fixa sobre isso”, afirmou.

O fenômeno climático La Niña, segundo o chefe da Divisão de Meteorologia do Sipam, Ricardo Della Rosa, contribuiu para o processo. Segundo ele, a La Niña tem a característica de promover um maior número de chuvas na região amazônica. O inverso ocorre com o El Niño, que tem indícios de instalação na região a partir do segundo semestre.

O primeiro alerta, conforme o CPRM, é o mais importante. Isso porque ajuda nos trabalhos de Defesa Civil, na redução dos impactos das cheias. O relatório do Departamento de Operações da Defesa Civil municipal indicou que 15 bairros da capital devem ser afetados pela cheia neste ano, nessas localidades cerca de 60 pontos já estão recebendo o monitoramento, segundo o gerente de resposta e desastre da Defesa Civil de Manaus.

O segundo alerta em relação a cheia será emitido no dia 2 de maio. Segundo Oliveira, a análise permite uma melhor previsão sobre a cheia da capital, a partir do acompanhamento do comportamento dos rios. Entre os bairros já monitorados pela Defesa Civil estão o Tarumã, Mauazinho, São Jorge, Educandos, Raiz, Betânia, Presidente Vargas, Colônia Antônio Aleixo, Aparecida, Centro, Santo Antônio, Cachoeirinha, Glória, Compensa e Puraquequara.

Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), na última grande cheia, em 2015, R$ 4 milhões foram gastos com ações humanitárias para as famílias desabrigadas na capital.

No interior do Estado a cheia já atinge cinco municípios - Canutama, Guajará, Ipixuna, Eirunepé e Itamarati, na calha do Juruá; decretaram estado de emergência devido o nível dos rios. Segundo a Defesa Civil do Estado, nessas cidades, cerca de 5.970 famílias foram afetadas pela cheia. Outras dez cidades estão em situação de alerta e sete em situação de atenção.

Em Manacapuru (a 68 quilômetros a oeste da capital), o município está em situação de emergência devido o risco de deslizamento de terra. Segundo a Defesa Civil do Estado, 41 famílias foram afetadas.

    

VEJA TAMBÉM NO D24am