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Amazônia / Meio Ambiente

Dados de desmatamentos da Amazônia podem ser maiores, aponta estudo

O alerta foi feito por um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos que compararam os números fornecidos pelo sistema de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

sexta-feira 14 de abril de 2017 - 10:00 AM

Estadão Conteúdo / portal@d24am.com

Enquanto o Prodes tem por objetivo monitorar a perda total na floresta primária, o modelo americano (UMD) é mais amplo. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

São PauloOs dados de desmatamento da Amazônia considerados pelo Brasil em suas estatísticas oficiais de perda de floresta e de emissões de gases de efeito estufa provocadas pela mudança no uso do solo podem estar sendo subestimados ao não levar em consideração outras formas de vegetação.

O alerta foi feito por um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos em pesquisa divulgada, na última quarta-feira (12), na revista Science Advances. Eles compararam os números fornecidos pelo Prodes – o sistema de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que fornece o dado oficial anual – com um mapeamento feito pela Universidade de Maryland. A análise foi para o período de 2000 a 2013 em toda a área da Amazônia Legal.

É basicamente uma questão de metodologia. Enquanto o Prodes tem por objetivo monitorar a perda total na floresta primária – o chamado corte raso – somente no bioma amazônico, o modelo americano (UMD) é mais amplo.

Ele considera todo tipo de perda de cobertura de árvores, incluindo por fogo e por atividade madeireira, e em outras formas de vegetação, como em florestas secundárias (que surgem após uma área totalmente desmatada ser abandonada) e em campos arbustivos, tipo de Cerrado com bosque, na área de transição entre floresta e Cerrado, em especial em parte do Mato Grosso, no Tocantins e no Maranhão. Essa região particularmente vem sofrendo com a expansão agrícola na área conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Segundo cálculos do grupo, liderado por Alexandra Tyukavina, da Universidade de Maryland, os dois modelos são consistentes em mostrar redução do desmatamento na floresta primária em especial a partir de 2008. Como até então o desmatamento da Amazônia era muito alto (o pico, de 2004, foi de 27 mil km²), as perdas em outras áreas não chamavam atenção. Mas com sua queda – 2012 teve o menor valor histórico, de 4.571 km²-, as pressões sobre outras áreas ficaram evidentes.

 

Tamanho

Para 2013, último ano da análise, o desmatamento nos bosques arbustivos e em florestas secundárias, juntamente com a perda natural e degradação em todos os tipos de florestas, tiveram magnitude semelhante ao desmatamento na floresta tropical úmida primária. Representam 53% da área bruta de perda de cobertura de árvores e de 26% a 35% da perda de carbono bruto sobre o solo.

Isso é importante para os comunicados que o País faz sobre suas emissões de gases de efeito estufa por mudança do uso do solo. Floresta secundária significa árvore crescendo e, portanto, absorvendo carbono. Se ela é perdida, mais contribuímos com o aquecimento global. Outras formas de monitoramento da vegetação, sugerem os autores, devem ser incorporadas a esses cálculos.

O mapeamento desenvolvido pela Universidade de Maryland traduz uma situação que já é conhecida no Brasil, só não é contabilizada nos dados oficiais de desmatamento da Amazônia. É o que afirma o pesquisador Dalton Valeriano, coordenador do Programa Amazônia do Inpe.

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