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Amazônia / Meio Ambiente

Pesquisadores vão ‘vigiar’ Amazônia em tempo real

Pesquisadores estão instalando câmeras, microfones e sensores de movimento embaixo das copas das árvores

domingo 16 de abril de 2017 - 9:15 AM

Estadão Conteúdo / portal@d24am.com

Para acompanhar a fauna é preciso mandar pesquisadores para contar os animais  ou instalar câmeras com sensores. Foto: WWF-Brasil/Adriano Gambarini

BrasíliaPesquisadores do Instituto Mamirauá, organização ambiental que é mantida com recursos do governo federal, estão instalando câmeras, microfones e sensores de movimento embaixo das copas das árvores na região central da Amazônia. Eles querem compartilhar, em tempo real, imagens e sons de mamíferos, aves e répteis, o que vai ajudar a conhecer melhor as diferentes espécies que habitam a região.

Chamado de Providence, o projeto ainda está em fase inicial de testes: os pesquisadores terminaram de instalar os primeiros dez módulos nos próximos dias. Por enquanto, eles estão sendo colocados numa área de dez quilômetros quadrados ao redor da sede de pesquisas do instituto na Reserva Mamirauá, a cerca de 600 quilômetros da capital amazonense.

Monitorar uma floresta densa e extensa como a Amazônia não é tarefa fácil. Hoje, os pesquisadores só conseguem ver em tempo real imagens do que acontece sobre a copa das árvores, obtidas por meio de satélites e radares. Para acompanhar a fauna da floresta, porém, é preciso mandar pesquisadores para contar os animais em trilhas ou instalar câmeras com sensores. Elas detectam mudanças de calor e fotografam os animais que estão passando.

Entretanto, esses equipamentos só captam animais em um perímetro de até 50 metros. Além disso, não transmitem dados pela internet, o que obriga os pesquisadores a voltar ao local em até seis meses.

“Espalhar câmeras na Amazônia inteira é um trabalho gigantesco e é necessário que uma equipe busque os cartões de memória para analisar o que o equipamento registrou”, explica o biólogo Emiliano Ramalho, pesquisador do Instituto Mamirauá e responsável pelo projeto Providence.

 

Rapidez

Ramalho teve a ideia do projeto em agosto de 2016, depois de trabalhar por 14 anos no Instituto Mamirauá. Nesse período, ele sentiu na pele as dificuldades de monitorar os animais. O projeto se tornou viável no fim do ano passado, depois que ele conseguiu ajuda da Fundação Gordon & Betty Moore - criada pelo cofundador da fabricante de chips Intel e sua esposa. A entidade investiu US$ 1,4 milhão no projeto.

O biólogo brasileiro buscou parcerias internacionais com outros institutos de pesquisa. A Organização para Pesquisas da Comunidade Científica e Industrial (Csiro, na sigla em inglês), vinculada ao governo da Austrália, é uma delas. Ela foi responsável por desenvolver o mecanismo de transmissão dos dados registrados pelas câmeras e microfones.

Já a The Silence Foundation - da Universidade Politécnica da Catalunha, na Espanha - ajuda a identificar as espécies pelos sons. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) faz a detecção de espécies por imagem.

“Estamos colocando nosso equipamento na floresta, para ver se ele consegue sobreviver à chuva, ao calor, à umidade e aos animais”, diz o australiano Ashley Tews, da Csiro. Segundo ele, a instalação dos dispositivos tem sido um dos principais desafios dos pesquisadores. 

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