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Amazônia / Povos

Indígenas têm deixado suas tribos e se dedicado aos estudos, em Manaus

Segundo a pesquisadora, cerca de 150 índios migram, anualmente, para prestarem vestibular.

terça-feira 19 de abril de 2016 - 8:11 AM

Amanda Guimarães e Annyelle Bezerra / portald24am@gmail.com

Para Pedro Hamaw,  a sociedade precisa de mais  conhecimento e informações sobre o que é ser indígena. Foto: Reprodução

Manaus - Há 73 anos se comemora, no dia 19 de abril, o Dia do Índio. No Amazonas, indígenas têm deixado suas tribos e vindo para a capital em busca de capacitação profissional e emprego. Na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por exemplo, segundo a pesquisadora de povos indígenas Joelma Monteiro de Carvalho, cerca de 150 índios migram, anualmente, para Manaus, para concorrer ao vestibular da instituição. Nesta terça-feira (19), 30 professores indígenas serão empossados em suas funções.

“Eu me considero uma índia moderna, uso celular e assisto tevê. Quando eu vim para Manaus,  tinha o sonho de adquirir todo o conhecimento necessário e aplicar na minha comunidade, porque muitas crianças ainda estudam com o auxílio de lamparinas”, disse Michelly Gomes Castilho, 31, da etnia Kokama. Hoje, ela trabalha em casa de família e estuda Pedagogia.

Perpetua Suni, de 43 anos, também sonhou e conseguiu sair de sua aldeia para adquirir mais conhecimento. “Quando tinha 17 anos, senti o desejo de morar em Manaus, porque queria estudar e também porque morava no interior, na mata mesmo. Quando falei para os meus pais e para o meu cacique, eles não receberam tudo isso muito bem. Logo, precisei passar por cima da opinião deles. Mas quando cheguei à cidade grande, tudo foi recompensado, porque fiz o Ensino Médio, passei no vestibular, me formei no curso de Biblioteconomia e realizei uma especialização”, contou Perpetua, que também é da etnia Kokama.

Já Pedro Hamaw, 42, vive uma realidade diferente. O indígena Sataré não pensa em deixar sua aldeia, mas sim continuar vindo a Manaus, toda semana, para concluir o Ensino Médio, na Fundação Nacional do Índio (Funai), na capital. De acordo com ele, as dificuldades culturais ainda são grandes.

Para Hamaw, a sociedade precisa de mais conhecimento e informações sobre o que é ser indígena.

“Com a popularização do Ensino Superior através do Programa Universidade Para Todos (ProUni), houve um aumento crescente do número de indígenas interessados em estudar. E cada vez mais jovens”, afirma a pesquisadora. Além deste tipo de curso, a conclusão do Ensino Médio é outro fator relacionado à educação que alavanca a vinda de indígenas para a capital do Estado, reforça Carvallho.

Homenagem

Nesta terça, 30 professores indígenas, convocados  no Processo Seletivo Simplificado (PPS) tomarão posse de seus cargos, às 10h30, no auditório da Secretaria Municipal de Educação (Semed), zona centro-sul.  Os novos educadores atuarão nas quatro escolas indígenas e em 18 Espaços Culturais, atendidos pela rede municipal de ensino.
 
A cerimônia acontecerá durante a ‘2ª Exposição de Educação Escolar Indígena: Saberes, Culturas, Artes e Tradições’, realizada pela Gerência de Educação Escolar Indígena da secretaria, que marcará as comemorações do Dia do Índio.

Em comemoração à data, às 9h, a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) realiza uma ação social junto aos indígenas no Centro Social da Comunidade Parque das Nações Indígenas, na Rua Beija-Flor Vermelho, s/nº, no bairro Tarumã, zona oeste.

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