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Amazônia / Povos

Maior parte da população indígena do Brasil reside na Região Norte, revela IBGE

A população indígena apresentou expansão territorial, passou a ocupar a maior parte dos municípios brasileiros e voltou a se concentrar na zona rural

quarta-feira 18 de abril de 2012 - 10:00 PM

Em 2010, o número de pessoas que se autodeclararam indígenas foi estimado em 817 mil, 84 mil a mais que em 2000, o que representa uma elevação de 11,4%. Foto:

São Paulo - Nas últimas décadas, a população indígena apresentou expansão territorial, passou a ocupar a maior parte dos municípios brasileiros e voltou a se concentrar na zona rural. A conclusão faz parte de levantamento divulgado nesta quarta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em dados do Censo Demográfico. A pesquisa mostra uma elevação de 34,5%, em 1991, para 80,5%, em 2010, no percentual de municípios onde residem indígenas. O relatório revela ainda que a maior parte da população indígena reside na Região Norte (37,4%) e nas áreas rurais (61,4%).

A concentração no campo representa uma inversão em relação a 2000, quando 52% residiam nas áreas urbanas, e um retorno a 1991, quando 76% se concentravam na zona rural. Em 2010, a concentração da população indígena em áreas urbanas caiu 17% em relação a 2000, um recuo que pode ser explicado tanto pelo crescimento econômico das áreas rurais dos municípios brasileiros como por um movimento migratório de retorno da população indígena às suas terras de origem.

"O dados revelaram um declínio populacional na área urbana e um crescimento expressivo da população indígena nas áreas rurais. O avanço territorial pode estar ligado ao crescimento das áreas rurais dos municípios brasileiros. O que não vem acontecendo nos grandes centros urbanos, principalmente na Região Sudeste, onde é perceptível esse declínio de população. O que pode haver também é uma questão migratória. Eles podem estar retornando para as suas terras, consequentemente para a área rural. Os dados de migração, contudo, ainda estão sob análise", avaliou Nilza de Oliveira Martins Pereira, membro da Diretoria de Pesquisas do IBGE.

O aumento da dispersão territorial diagnosticado pelo levantamento na última década não acompanhou, contudo, a taxa média de crescimento da população indígena, que apresentou redução de 10,8%, entre 1991 e 2000, para 1,1%, entre 2000 e 2010. Em 2010, o número de pessoas que se autodeclararam indígenas foi estimado em 817 mil, 84 mil a mais que em 2000, o que representa uma elevação de 11,4%. O aumento, que foi inferior à taxa média de crescimento da população brasileira no período, de 12,3%, foi bem menos expressivo que o verificado entre 1991 e 2000, de 150%. O IBGE explica que a redução no percentual de crescimento da população indígena tem relação com a ocorrência, em 2000, de um processo de “reetinização”, ou seja, alguns grupos, diferente de 1991, reassumiram as suas tradições e passaram a se autodeclararem indígenas, fator que influenciou nos dados referentes à década retrasada.

"Não há efeito demográfico que explique o grande crescimento entre 1991 e 2000, de onde surgiu tanta gente. A hipótese mais plausível para o crescimento é de que tenham surgido declarações indígenas, as pessoas passaram a se identificar como tais. O que pode ter contribuído com esse cenário foi a promoção de incentivos e programas para essa população e a aparente diminuição do preconceito nas áreas urbanas. Os percentuais de 2010, por sua vez, vieram para consolidar essa estrutura, excluindo em parte a subenumeração urbana de 1991", observou a pesquisadora do IBGE.

Em números absolutos, a maior concentração populacional indígena reside no Amazonas, 168,7 mil pessoas (20,6%), e a menor no Rio Grande do Norte, 2,5 mil pessoas (0,3%). A população indígena que mora em áreas urbanas soma hoje 315 mil e se concentra, principalmente, na Região Nordeste (33,7%). No período de 2000 a 2010, o Acre apresentou o maior crescimento da população indígena, um aumento de 7,1% ao ano, seguido pela Paraíba e por Roraima, que tiveram altas de 6,6% e 5,8%, respectivamente. O maior declínio populacional de autodeclarados indígenas foi constatado no Rio de Janeiro, de - 7,8% ao ano, o que equivale a uma redução de cerca de 20 mil pessoas. Nas áreas urbanas, a queda populacional foi registrada na totalidade dos estados das Regiões Sudeste e Sul. As perdas populacionais de indígenas nas áreas urbanas foram significativas em vinte unidades federativas, sobretudo em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No levantamento, os povos indígenas brasileiros considerados “ isolados” não foram entrevistados.

Os dados mostram também que as taxas médias de crescimento anual das populações que se autodeclaram amarela e parda cresceram na comparação entre os períodos de 1991 - 2000 e 2000 - 2010. O percentual de crescimento dos amarelos passou de 2,14% para 10,59% e o percentual de crescimento dos pardos foi de 0,53% para 2,34%. Os dados sobre esses dois grupos populacionais estão sob análise, o que, segundo o IBGE, não permite ainda concluir o motivo do crescimento populacional.

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