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Amazônia / Povos

Em Manaus, indígenas serão retirados de ocupações irregulares

Entidade aponta que quase mil famílias estão nesta situação, em quatro locais da cidade

quarta-feira 18 de maio de 2016 - 11:45 AM

Girlene Medeiros / portal@d24am.com

Indígenas reivindicam políticas públicas de moradia. Foto: Eraldo Lopes

Manaus - Quase mil famílias  indígenas estão prestes a serem retiradas de quatro ocupações irregulares em Manaus, segundo estimativa da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime).    

Nas comunidades Parque das Tribos, Parque das Nações Indígenas, Sol Nascente e Paxiubau, os indígenas reivindicam políticas públicas de moradia para os chamados  índios urbanos e dizem que são confundidos com oportunistas nas ocupações até mesmo por indígenas aldeados. Eles dizem temer perder a cultura semeada nos assentamentos mais antigos.

De acordo com o coordenador da Copime, Turi Sateré,  a busca pela propriedade de terras   é uma reivindicação por políticas públicas para moradia das comunidades indígenas. 

Turi afirmou que, nas ocupações, há   criação de animais e plantações para garantia de subsistência das famílias. “A gente precisa de um lugar para se reunir e manter nossa cultura”, afirmou. A entidade   representa 45 comunidades indígenas em Manaus e outras 25 no entorno da capital.   

 Para Turi, propostas governamentais de encaminhar os índios para apartamentos de conjuntos habitacionais, por exemplo, podem destruir o modo de vida dos índios urbanos pertencentes a diferentes etnias, como Tukano, Dessana, Sateré Mawé, Baniwa e Kokama.   

A indígena Macivânia Sateré, 45, do povo Sateré Mawé, explicou  que, no Parque das Nações Indígenas, no Tarumã, zona oeste, “os moradores trabalham a revitalização do Nheengatu e a relação cultural entre eles”.

A estimativa da Copime aponta que 500 famílias moram no Parque das Tribos, também no Tarumã. O Parque das Nações Indígenas conta com 300 famílias. Outras 150 residem na Comunidade Sol Nascente, no conjunto Francisca Mendes,  além de 25 famílias na Comunidade Paxiubau, no bairro Santa Etelvina, ambos na zona norte. 

Em novembro  passado, houve  a reintegração de posse da Comunidade Cidade das Luzes, também no bairro Tarumã. Macivânia recordou que alguns indígenas, que  estavam entre os ocupantes da área, foram retirados e apontados como integrantes de organizações criminosas. Segundo ela, muita gente, inclusive indígenas aldeados, passou a enxergá-los como criminosos. “É índio com preconceito com índio, depois de tudo que foi falado de forma errada de nós”, disse. 

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) está à frente de ações em busca da garantia de moradia para as comunidades Paxiubau, Parque das Tribos e Parque das Nações Indígenas. “Não significa que eles precisam morar   ali onde eles estão, mas é preciso que se pense que há pessoas que não têm para onde ir”, afirmou o defensor público Carlos Alberto Almeida. 

O titular da Secretaria de Segurança Pública (SSP), Sérgio Fontes, afirmou que o governo entende que há pessoas necessitadas de moradia nas invasões. No entanto, o secretário mencionou que há, também, oportunistas negociadores de lotes ilegais de terras. “Quem realmente precisa acaba servindo de massa de manobra para que alguns ganhem lucro fácil”, avaliou.

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