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Amazônia / Povos

Projeto se destaca entre os melhores da América Latina e beneficia indígenas

A ação contempla levar a cura da doença ‘fogo selvagem’ para as tribos indígenas do Amazonas 

quarta-feira 17 de agosto de 2016 - 10:00 AM

Amanda Guimarães / portal@d24am.com

O Antropomed concorre na categoria Liderança Comunitária e o objetivo de Francesconi é ganhar no voto popular. Foto: Divulgação

Manaus - O projeto Antropomed, que une a medicina científica com a tradicional indígena, tem buscado a cura para a doença Pênfigo, conhecida como ‘fogo selvagem’, nas diversas tribos do Amazonas. Representando a Região Norte e Nordeste a iniciativa concorre a premiação no Skinpact Awardsm, premiação de dermatologia internacional, na categoria Community Leardership (Liderança Comunitária) e está entre os melhores trabalhos da América Latina. O Antropomed foi desenvolvida pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

O dermatologista e um dos responsáveis pelo projeto Antropomed, Fabio Francesconi, explica que a doença Pênfigo é provocada quando a baixa imunidade ataca a pele e se transforma em uma bolha. Depois disso, segundo o especialista, a bolha vira uma ferida, podendo provocar até a morte do paciente. 

“Tudo começou com a doença chamada ‘fogo selvagem’. Trata-se de um tipo de doença de pele que ocasiona bolhas. Os pacientes indígenas têm mais chance de desenvolver esse tipo de enfermidade, porque estão inseridos em locais com pouco ou sem saneamento básico. Além de se tratar de uma doença hereditária e crônica”, detalha o médico.

Segundo ele, com o diagnóstico aprovado, foi realizado tratamentos com os indígenas e se percebeu que eles participavam das atividades nas unidades hospitalares, mas após a alta médica apresentavam uma piora no estado de saúde.

“Eles não tomam os nossos remédios, pois possuem a visão deles de doença. Os índios possuem o aspecto cultural diferente em relação ao processo de adoecer e os processos de tratamento. Então, começamos a conversar com eles e com a equipe de Antropologia da Ufam, para entendermos esse processo. Com isso, iniciamos o nosso projeto”, ressaltou Fábio.

Competição

Segundo o médico, a ideia de inscrever o projeto na competição se deu com o objetivo de arrecadar verba para o desenvolvimento de atividades nas tribos. Ele comenta que o Antropomed foi aprovado por uma pré-seleção e, atualmente, ocupa o ranking entre as dez melhores iniciativas da área. 

“Queremos montar um serviço de tratamento multidisciplinar unindo a medicina científica junto com a tradicional indígena. A nossa medicina não atropela a deles. Precisamos olhar em conjunto, beneficiando a saúde deles”.

Falando da expectativa para os próximos anos, o médico afirma que o desejo é utilizar o projeto para atender outras doenças como diabetes e pressão alta. 

“Queremos votos, porque queremos ganhar pela escolha popular. Se todo mundo votar, mais chance a gente tem de ganhar. Isso é uma forma de melhorar a saúde indígena”, disse Fabio. Os interessados podem acessar o link: https://enter.galdermaskinpact.org/a/gallery/rounds/2/details/2268. 

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