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Amazônia / Povos

ONG vence desafio do Google com projeto voltado para a comunidade indígena

Intenção do Ipam é promover a adaptação das comunidades indígenas na Amazônia às mudanças climáticas, fornecendo alertas de situações críticas

terça-feira 14 de junho de 2016 - 7:23 PM

Gisele Rodrigues / portal@d24am.com

Cada projeto vencedor ganhou R$ 1,5 milhão do  Google.org, Foto: Gisele Rodrigues

São Paulo *- Duas Organizações Não Governamentais  (ONGs) com trabalhos na região amazônica concorreram ao prêmio "Desafio Impacto Social do Google 2016" nesta terça-feira na cidade de São Paulo. Uma delas, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), recebeu o prêmio R$ 1,5 milhão, anunciado pela diretora do Google.org, Jacqueline Fuller. O Google.org é o braço filantrópico da empresa.

Segundo o pesquisador do Ipam, Paulo Moutinho, a ONG vai criar, com o valor doado, um aplicativo que ajuda comunidades indígenas a se adaptar às mudanças climáticas fornecendo alertas de situações críticas. A ONG foi escolhida pela decisão dos jurados e da diretora do Google.org

"A ideia é juntar o conhecimento indígena ao conhecimento científico. Afinal, os índios são os maiores preservadores da Amazônia", disse Moutinho.

Vencedora na categoria voto popular, a ONG Transparência Brasil levou o incentivo de R$ 1, 5 milhão para desenvolver o projeto de um aplicativo para celular chamado "Cadê Minha Escola". O intuito do projeto, segundo a ONG nordestina, é ampliar para todo o país o monitoramento cidadão da construção de creches e escolas, para diminuir o atraso de obras, assim como oferecer denúncias aos órgãos competentes.

"Isso não nos surpreendeu porque as pessoas estão interessadas em política e ainda em transparência. Não só como o está transparência dos recursos, mas também o resultado da aplicação desses recurso", disse Fuller.

Os  dez finalistas receberam o voto popular pela internet até esta segunda-feira. De acordo com Fuller, o Brasil bateu recorde com mais de um milhão de votos.

Segundo o presidente do Google Brasil, Fábio Coelho, o concurso busca aliar a criatividade das ONGs de todo país e a tecnologia para promover impacto social.

"Nós somos viabilizadores do talento das pessoas", disse ele na abertura do evento.

Prêmio

O desafio premiou quatro projetos, escolhidos pelos jurados no valor de R$ 1,5 milhão cada. E mais um vencedor pelo voto popular, que recebeu o mesmo valor. Todos os indicados levaram também receberam R$ 650 mil para implantar os projetos.
Ao todo são R$ 10 milhões em prêmios, de acordo com o Google.org.

Na região Norte, a outra entidade finalista foi WWF Brasil, que apresentou o projeto que alia a participação cidadã na construção de armadilhas contra o mosquito Aedes e o mapeamento dos focos de proliferação dos mosquitos para o combate de doenças como o zika, chikungunya e dengue.

De acordo com Marcelo Oliveira da Costa, representante do WWF Brasil, apenas 1/3 dos focos do Aedes consegue ser monitorado pelas autoridades sanitárias.

"O projeto é desenvolvido com a Fiocruz e o objetivo é engajar e mobilizar a comunidade. Temos que inovar no controle desse mosquito, afirmou.

Na prática, um sistema pretende contabilizar, por meio de uma foto colocada em um aplicativo disponibilizado para smartphones, a quantidade de larvas e informar às autoridades de saúde sobre os focos com quantitativo acima da média municipal e estadual. O mapeamento e a evolução poderá ser diária, semanal e anual, segundo a ONG.

Para superar a dificuldade de acesso à Internet, Oliveira informou que o aplicativo funciona também offline, com o envio das informações assim que o telefone se conectar a uma rede de internet.

O Google.org atua em todos os países escritórios da empresa, financiando e apoiando projetos. Na Amazônia, a instituição auxilia o monitoramento do desmatamento, por meio do Google Earth.

* A repórter viajou à convite do Google.org

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