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Esportes / Fórmula 1

‘Racional’, piloto do AM projeta carreira nos EUA

Destaque da Fórmula Vee, Gabriel Silva faz sua estreia internacional, no Canadá, e pretende seguir carreira na América do Norte

domingo 14 de maio de 2017 - 12:00 PM

Diogo Rocha / portal@d24am.com

Gabriel Silva tem se destacado na Fórmula Vee. Foto: Diogo Rocha

Manaus - No automobilismo profissional, talento nem sempre basta para chegar às competições mais famosas e conceituadas, como a Fórmula 1, que virou lugar comum no desejo da maioria dos pilotos de kart. Mas para o amazonense Gabriel Nascimento Silva, 19, atualmente piloto da Fórmula Vee (FVee), uma carreira estável nos Estados Unidos longe dos circuitos e fórmulas da Europa seria mais viável.

“Minha meta é viver do automobilismo, gosto de correr. A Fórmula 1, claro, que todo piloto quer. É o sonho de todo mundo, mas se for pegar no papel é inviável também por onde moro e minha idade. É questão de dinheiro. Porque para a F-1 tem que trilhar o caminho da Europa, que é o mais caro”, analisou Silva.

Desde os 12 anos de idade pilotando kart, em Manaus, e competindo fora do Amazonas há quatro anos, Gabriel passou a integrar no final do ano passado a categoria dos Graduados da Fórmula Vee (FVee), em São Paulo. Neste final de semana, ele e o paulista Murillo Latorre disputam a abertura da Challenge Cup Series, no Canadian Tire Motorsport Park, em Bowmanville, próximo a Toronto.

A prova no Canadá, que inaugura o acordo internacional firmado entre a FVee Brasil e a Challenge Cup, associação dos EUA e Canadá para promover o intercâmbio de pilotos, será a primeira experiência internacional de Gabriel Silva.

 

Amazonense atualmente é piloto da Fórmula Vee (FVee). Foto: Claudio Larangeira/Divulgação FVee

 

Ele revelou que tenta um acerto com uma equipe norte-americana de Fórmula 4 para fazer testes, por intermédio de Wilsinho Fittipaldi, consultor da FVee e irmão do bicampeão mundial de F-1, Emerson Fittipaldi. “Quero traçar (a carreira nos) Estados Unidos, onde têm categorias boas, o público gosta e o país é bom para viver. Tenho amigos pilotos, de São Paulo, que vão até a Europa gastando uma fortuna por um ano e voltam para o Brasil e não fazem nada porque estão sem dinheiro. Tem que ser realista”, disse o amazonense.

A paixão de Gabriel pela velocidade surgiu, naturalmente, sem influências externas ou de familiares. Na adolescência, ele acompanhou o pai até a pista de kart da Vila Olímpica de Manaus, no Dom Pedro, para assistir uma prova da modalidade. Na Vila, ele teve o primeiro contato com um carro de kart e pilotando descobriu a vocação.

“Um amigo do meu pai corria kart e nos chamou para ver a corrida. Após a prova, eu dei algumas voltas (na pista) e vi que gostava mesmo. Desde pequeno sempre gostei de corridas, acompanhando a Fórmula 1. Tinha um quadriciclo e gostava de esportes de motor. E quando fui para o kart indoor acabou evoluindo e chegando onde estou (na FVee)”, explicou.

A carreira no kart de Gabriel Silva se consolidou e teve destaques com as provas longe do Estado. Atual bicampeão amazonense (2015/2016), Gabriel ganhou títulos em provas de kart em São Paulo, pelo Campeonato Paulista, quando foi vice-campeão da Sprinter, em 2014, e em Belém (PA), com o bi na Copa Norte (2015/2016). Ele também competiu no Paraense.

Sem patrocínio, a família e amigos empresários do piloto arcam até hoje com as despesas para Gabriel seguir nas competições, como a Fórmula Vee. Os custos como piloto de kart eram variados, como por exemplo, em São Paulo, que gastava R$ 6 mil por corrida com despesas com equipe, aluguel de motor e um jogo de pneus (R$ 550) para, no máximo, 60 voltas.

Para o amazonense, os custos financeiros podem virar os maiores obstáculos para uma carreira ativa e promissora. “No começo, tem aquele investimento inicial, que é comprar o kart e o motor que já é caro. Para continuar é mais caro ainda, porque nas competições nacionais precisa investir mais e mais até sair do kart, mas muitos não conseguem. Tem muito piloto bom que fica no kart porque não tem patrocínio”, afirmou.

A entrada na Fórmula Vee foi conquistada depois de um bom desempenho em uma corrida da categoria. Então, Gabriel Silva fechou um pacote pela FVee pilotando pela equipe F/Promo Racing e deixou o grupo Branco Racing, na qual representava o kart do Amazonas.

“Tudo é difícil no início. Porque ia para São Paulo e dava azar, como quebrar o carro, e demorou a ter aquela maré de sorte. Segui insistindo e abriu uma porta para a Fórmula Vee, no final do ano passado, quando fiz uma corrida para ter a experiência e fui bem”, explicou Silva.

Considerado um piloto-revelação na Fórmula Vee, Gabriel disputou quatro etapas e em todas subiu ao pódio. Foram dois terceiros lugares, em Interlagos-SP, quatro segundos lugares, em Curvelo-MG (2) e Interlagos (2), e uma primeira colocação, em Piracicaba-SP.

 

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