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Estruturado, SUP evolui em Manaus e atletas buscam regulamentação

O Stand Up Paddle, popular SUP, em evolução, no Amazonas, tem chance de ser incluído em projeto federal

domingo 26 de março de 2017 - 10:30 AM

Thiago Fernando / portal@d24am.com

SUP reúne praticantes e atletas profissionais nos rios de Manaus. Campeonato Amazonense será em abril. Foto: Divulgação

Manaus - Visto, antigamente, como um simples passatempo de final de semana, o Stand Up Paddle, popularmente conhecido como SUP, se tornou um esporte respeitado no Amazonas. Para regulamentar a modalidade, foi fundada, em 2013, a Federação de Stand Up Paddle do Amazonas (Fesupam). A iniciativa influenciou diretamente no aumento de praticantes e atletas, que passaram a viver exclusivamente do esporte.

Um dos principais idealizadores da federação, o atleta profissional e presidente da Fesupam, Pablo Casado, de 40 anos, afirmou que esse passo era importante para que a modalidade começasse a ser vista com maior respeito pelos praticantes e investidores.

“Era preciso regulamentar o nosso esporte. Sou atleta profissional e sei que temos umas das melhores condições de treinamento do Brasil, em Manaus. A ideia de fundar (a federação) foi para organizar as escolas e pessoas que trabalham com a modalidade, afinal de contas, temos um estatuto redigido pela Confederação Brasileira de Stand Up Paddle (CBSUP). A ideia da federação é essa: organizar o esporte, cadastrar as pessoas que trabalham com o SUP, para, assim, trabalhar todo mundo da maneira certa” disse Casado.

 

Organização

Segundo o atleta e dirigente, a partir desta temporada, a CBSUP só aceitará em suas competições atletas que sejam registrados em alguma federação estadual. A primeira etapa da competição nacional acontecerá entre os dias 4 e 7 de maio, em Florianópolis (SC).

Sem competições desde 2015, a Fesupam planeja iniciar a temporada, no próximo dia 30 de abril, com a primeira etapa do Campeonato Amazonense, na Ponta Negra. Para seguir as diretrizes da CBSUP, o aviso de regata será lançado 30 dias antes da competição, na página oficial da federação no Facebook. A disputa será dividida em três categorias: Iniciantes, Amadores e Profissionais. Os campeões garantirão vaga para o Campeonato Brasileiro de 2018.

“Em Manaus, fizemos o Campeonato Amazonense de 2013 a 2015. No ano passado, foi bem difícil, devido à crise financeira que o País tem passado. Os empresários não queriam ajudar. Por ser um ano eleitoral, não conseguimos também ajuda pública. Mas, esse ano, já temos a primeira etapa programada para o dia 30 de abril. Será montado um percurso de três quilômetros. Os iniciantes darão uma volta, os amadores duas e os profissionais, três”, informou o presidente.

 

Plano é integrar modalidade ao programa Segundo Tempo

Com o Rio Negro à disposição, a Fesupam busca popularizar o SUP nos municípios do interior do Estado. O primeiro passo para que isso aconteça é a realização do 1º Curso de Instrutor da modalidade no Amazonas. A intenção é formar 10 professores, pois algumas escolas em Manaus funcionam sem o profissional regularizado.

“É necessário que você tenha um educador físico responsável pela sua escola. Não é só comprar dez ou 20 pranchas e abrir um flutuante para ganhar dinheiro. Primeiro, você precisa ter um educador físico que tenha o curso de instrutor de SUP. Abrindo a firma com CNPJ, cumprindo todos os itens de segurança, aí sim você pode começar a trabalhar com o SUP. Hoje, temos quatro escolas em Manaus”, citou Pablo.

O curso está disponível para inscrições desde o inicio deste mês, porém, apenas três pessoas mostraram interesse, sendo duas de Manaus e uma de Rio Preto da Eva (a 57 quilômetros a nordeste de Manaus).

Outra medida tomada foi incluir a modalidade nos Jogos Escolares do Amazonas e conseguir associar o Projeto SUPerar ao programa Segundo Tempo, do Ministério dos Esportes. Pablo Casado afirmou que o Projeto SUPerar atende 150 crianças da rede municipal de ensino. Vale lembrar que o medalhista Olímpico na canoagem, Isaquias Queiroz, foi descoberto no Projeto Segundo Tempo.

“Uma das coisas que falei com o Secretário Municipal de Juventude, Esporte e lazer (Semjel), Marcio Barros, é que acaba sendo vergonhoso não ter uma equipe de remo na cidade, sendo que temos o maior rio do mundo a nossa disposição. Esse é o primeiro projeto de SUP no Brasil a fazer parte de um projeto federal. Somos referência nacional. Fico muito feliz com isso, e acredito que, da mesma forma que fui campeão brasileiro, aos 38 anos, surgirá uma nova geração no Amazonas que fará sucesso no Brasil com a modalidade”, comentou.

“Tenho o sonho de levar a modalidade para o interior do Estado. Isso pode ajudar o desenvolvimento financeiro da região. Imagine uma escola em Parintins (a 369 quilômetros a leste de Manaus). Durante o festival folclórico, passei o dia dando aula de SUP, porque não tem o que fazer na cidade. Podemos implantar em Manacapuru (a 68 quilômetros a oeste de Manaus) e Maués (a 276 quilômetros a leste de Manaus). O projeto é expandir”, disse Casado, sobre os planos para a modalidade.

 

Fonte de renda e de preservação dos recursos naturais no AM

Campeão brasileiro de Maratona, em 2015, Pablo Casado disse que é possível viver exclusivamente do SUP, no Amazonas. Entre as proezas do atleta, está a travessia Manaus-Parintins.

“Posso dizer, com todas as letras, que vivo do SUP. Tenho uma filha de 3 anos. Sou casado há oito anos e sustento a minha família com o esporte. Tenho a minha escola, que fica ao lado do flutuante Sedutor. Remo, desde 2009”, citou. 

Outro que também passou a viver do esporte foi Jadson Maciel, de 36 anos, professor da Escola Amazonas Stand Up Paddle. Em 2012, ele largou o mundo cooperativo para se dedicar à modalidade.

“Conheci o esporte em 2012. Era triatleta e sempre assistia o pôr do sol, no píer do Tropical Hotel. Vi o pessoal brincando de SUP e me interessei. Trabalhei 12 anos como gerente de loja, no comércio, estava um pouco cansado do mundo cooperativo e decidir fazer uma mudança radical. Larguei minha carreira profissional para viver do SUP. Estou vivendo do esporte, desde então. Com certeza, tem retorno financeiro. Consigo pagar as minhas contas e vivo 100% do SUP”, revelou Jadson, idealizador do projeto Remada Ambiental, que reúne grupos de voluntários para recolherem resíduos de lixos no rio.

 

Alternativa às academias e fuga do estresse da cidade

Por causa da agitação e estresse causado por viver em uma cidade grande como Manaus, as pessoas têm buscado alternativas para fugir da rotina. Para quem não suporta praticar esporte em ambientes fechados, o SUP surge como uma solução. Professor e proprietário da escola Amazônia Tribal Sup, na Praia Dourada, Tarumã, zona norte de Manaus, Pablo Casado disse que é possível perder 600 calorias em uma hora sobre a prancha.

“Um praticante, em uma hora, consegue queimar 600 calorias. Muitas pessoas me procuram, querendo emagrecer e praticar uma atividade sem impacto nas articulações. Tem gente que rema todos os dias, porque não aguenta ficar dentro de uma academia e quer um contato com a natureza. Essa é a vantagem do SUP. A modalidade necessita equilíbrio, força e postura. Costumamos dizer que é um esporte que movimenta todo o corpo”, informou.

 

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