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Seis meses após Olimpíada, atletas brasileiros voltam à dura realidade

Medalhistas olímpicos são demitidos, perdem parceiros e investimento

domingo 5 de março de 2017 - 4:30 PM

Estadão Conteúdo / portal@d24am.com

Em 2016, Arthur Zanetti contava com dez fontes de renda, sendo sete delas de patrocinadores até os Jogos Olímpicos. Em 2017, teve o orçamento reduzido a três receitas. Foto: Clayton de Souza/Estadão

Rio de JaneiroSeis meses após os Jogos Olímpicos do Rio, medalhistas sofrem com queda nos investimentos federais, dificuldades para atrair novos patrocinadores e até demissão pura e simples, como o técnico da seleção de futebol, Rogério Micale, que perdeu o emprego depois da conquista inédita do ouro. "Até parece que estamos sendo punidos pelo bom resultado", lamenta Felipe Wu, prata no tiro esportivo e que ficou sem treinador, psicólogo e fisioterapeuta por corte de verbas da confederação. 

A lista de decepções – foi essa a palavra que Wu utilizou – engloba várias modalidades. Maicon Andrade, medalha de bronze no tae-kwon-do, demorou mais de dois meses para receber o prêmio de R$ 12,5 mil pela conquista. De acordo com um de seus técnicos, Reginaldo dos Santos, o próximo ciclo olímpico já está comprometido por causa da demora e do escândalo de corrupção na confederação, que está sendo gerida por um interventor. "Ele perdeu cinco torneios importantes e não temos planos para o segundo semestre."

Até Arthur Zanetti, estrela da ginástica artística, está em baixa. Suas dez fontes de rendimento antes dos Jogos foram reduzidas para apenas três até agora. Bem humorada, Poliana Okimoto – a primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha olímpica nos esportes aquáticos – deu um jeito de contornar a crise depois de perder seu maior patrocinador, os Correios. “Ainda bem que meu marido é meu técnico. Assim, ele trabalha de graça”, brinca.

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