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Esportes / Rio 2016

Ministro diz que desafio após Jogos Olímpicos é consolidar legado

Prefeitura do Rio de Janeiro alega não ter dinheiro para manter estruturas e a manutenção dos equipamentos deve ser repassada ao governo federal

domingo 18 de dezembro de 2016 - 11:45 AM

Thiago Fernando / portal@d24am.com

Problema pós Jogos Olímpicos e Paralímpicos é desenvolver modalidades e manter espaços construídos como trunfo de atletas brasileiros. Foto: Divulgação/Rio 2016

Rio de Janeiro - Em meio às inúmeras dúvidas em torno do futuro político do País, um dos ministérios que deve passar por mudança é o dos Esportes. O ministro Leonardo Picciani (PMDB /RJ) falou, nesta semana, sobre o que 2017 reserva para o esporte brasileiro.

Durante o 6º Encontro Nacional de Editores, Colunistas, Repórteres e Blogueiros (Enecob), no Rio de Janeiro (RJ), Picciani disse que uma saída deve ser a implantação de uma nova política para o esporte universitário. Além disso, citou que as instalações do Parque Olímpico devem passar a ser administradas pelo governo federal.

Tradicional em países considerados potências esportivas, a formação de atletas a partir das universidades é um sonho antigo dos esportistas brasileiros. Perguntando se o crescimento esportivo do Brasil passa pela ampliação dos investimentos em competições universitárias, Picciani afirmou que a nova proposta para o esporte, que será implantada, no próximo ano, conta com o aumento na verba para essa categoria.

“Creio que o Brasil precisa dedicar mais atenção ao esporte universitário. Isso está composto na nova proposta do esporte universitário. A nossa tradição é de clubes formadores, diferente do que acontece nos Estados Unidos. Podemos mudar isso, em médio a longo prazo”, disse o ministro.

 

 

A medida ganhou apoio da medalhista olímpica Adriana Samuel, que também participou do Enecob. Para a ex-atleta, que ganhou duas medalhas no vôlei de praia (prata, em Atlanta-1996, e Bronze, em Sidney-2000), além de formar atletas, a ideia ajuda na formação do cidadão. 

“O problema é que não temos uma política esportiva definida. No Rio, por exemplo, temos muitos clubes, mas poucos investem nos esportes olímpicos. Eu sou fã do modelo americano. Temos um problema, no Brasil, que é o atleta não estudar. Em pouquíssimos casos, o atleta consegue fazer as duas coisas juntas e sabemos que isso é uma grande cilada, porque a vida como atleta é muito curta”, citou Adriana.

Exemplo disso são as medalhista de ouro na Olimpíada do Rio de Janeiro, Martine Grael e Kahena Kunze. Campeãs na Vela, categoria 49er FX, elas tiveram que trancar as faculdades para se dedicar ao ciclo olímpico. “Ainda tentei fazer as duas coisas. Porém, no terceiro período de engenharia, não conseguia manter o mesmo desempenho e tranquei. Espero voltar o mais breve possível”, disse Martine.

 

 

Manutenção dos repasses

Apesar da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que cria um limite para os gastos públicos, o ministro Picciani disse que o esporte não será afetado com a medida. Favorável à proposta, ele disse que o orçamento para 2017 já está aprovado e defendeu a manutenção dos projetos de incentivo: Bolsa Atleta Federal e Bolsa Pódio.

“Bolsa Atleta e Bolsa Pódio estão em pleno funcionamento, serão renovados para o ano que vem. Já tem recursos disponíveis, cerca de R$ 140 milhões reservados. Portanto, as bolsas terão seus editais renovados, como ocorria em anos anteriores. A PEC do teto não nos causa nenhuma preocupação. O nosso orçamento do ano que vem está garantido. Teremos 30% para fazer manutenção e outras necessidades”, afirmou Picciani, que questionado sobre o risco da retirada da obrigatoriedade da Educação Física no Ensino Médio, disse estar lutando para que isso não aconteça.

“Me manifestei contrário à retirada da Educação Física. Precisamos, sim, reformar o Ensino Médio, mas houve um equívoco sobre a Educação Física. Isso já foi resolvido e voltou a ser obrigatória. Vou continuar lutando para não mexerem nisso”, citou.

Já Adriana Samuel disse que é preciso modificar a forma que a Educação Física é praticada no Brasil, principalmente, em escolas públicas. “Não acho que vão acabar, porque da maneira que é feita, é o mesmo que acabar com o que nunca teve. Tem uma série de questões. Não temos estrutura para o esporte, principalmente nas escolas públicas. Acho os professores heróis, porque muitas vezes eles fazem milagre. Já fui em escola e vi vôlei sendo praticado entre duas árvores e a rede era um barbante”, citou.

 

Medalhistas para inspirar a base, em projetos

No Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o Brasil conquistou medalhas em modalidades pouco populares no País. Exemplo disso foi o desempenho surpreendente do canoísta Isaquias Queiroz, que saiu da competição com três medalhas (duas de prata e uma de bronze). Para manter a chama das Olimpíadas viva na nova geração e, assim, ajudar na formação de novos atletas, o Chefe de Gabinete da Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude (SEELJE), Bernardo Roberto, afirmou que serão lançados novos projetos sociais coordenados por ex-atletas como o ‘Furacão’ da Copa do Mundo de 70, Jairzinho.

“Um dos principais projetos que fizemos é o ‘Esporte RJ’. São núcleos espalhados pelos municípios. Nesses núcleos, são exploradas as modalidades que mais se destacam naquela área. São, aproximadamente, 400 núcleos. Além disso, vamos lançar projetos envolvendo atletas, como o de luta que será coordenado pelo Murilo Bustamante, um de tênis com o Tiago Monteiro e outro de futebol com o Jairzinho”, disse Bernardo, que relembrou ainda que foi em um projeto assim, o Talento RJ, que surgiu a judoca Rafaela Silva.

O Ministro dos Esportes, Leonardo Picciani, disse que é fundamental a troca de experiências entre a base e o alto rendimento. “Creio que os atletas cumprirão um papel importante, que é inspirar. Não existe um alto rendimento sem a base, mas a base precisa do alto rendimento, porque os ídolos motivam as crianças”.

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