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CPRM mapeia 120 mil pessoas morando em áreas de risco em Manaus

Levantamento feito pelo CPRM mapeou 120 mil pessoas vivendo em áreas de risco na capital. Com a chegada do período de mais chuvas, risco de desabamento aumenta.

quarta-feira 12 de dezembro de 2012 - 7:00 AM

O mapeamento foi iniciado em meados do ano passado e teve a duração de seis meses. Foto: Eraldo Lopes

Manaus - Manaus entra no período de fortes chuvas, que segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) deve permanecer até fevereiro de 2013, com 120 mil pessoas morando em áreas de risco, das quais 30 mil  em casas prestes a desabar. O mapeamento, realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e entregue à Defesa Civil Municipal, será divulgado oficialmente na próxima semana.

Foram identificadas 79 áreas consideradas com o risco muito alto, 202 de alto risco e 293 com médio risco, além de 61 áreas de alagações. Segundo o CPRM, as zonas da cidade de maior risco são as norte e leste.  “Identificamos áreas de risco de baixo, médio, alto e muito alto. Os que moram em locais de intensidade muita alta, são em torno de 25 mil a 30 mil pessoas”, informou o supervisor de gestão territorial do CPRM, geólogo José Luiz Marmos.

O geólogo orienta que essas pessoas sejam retiradas destas áreas de imediato, porque correm risco iminente de desmoronamento. “Com as chuvas neste período há riscos de desmoronamentos. Estes moradores devem ser retirados de imediato ou tem que haver uma contratação de obra para prevenção de acidentes”, afirmou.

Os bairros mais vulneráveis aos desmoronamentos, segundo o estudo do CPRM, são o Mauzinho e Gilberto Mestrinho, ambos na zona leste de Manaus.

O pedreiro Marcos Vieira, 35, que mora há quatro anos na Avenida Rio Negro, no bairro Mauzinho, tem medo que sua casa deslize no barranco. “Quando chove à noite, não durmo direito. Na cheia deste ano, tive que me mudar porque a água quase chegou no teto da minha casa”, contou.

Segundo outra moradora do local, Micilene Ferreira, 34, no ano passado uma casa vizinha a sua desmoronou. “Se der uma chuva forte esse barranco vai cair. Mais de 15 casas estão na encosta e os moradores vivem com medo”, afirmou.

No bairro Gilberto Mestrinho, na Rua Londres, os moradores também passam pela mesma situação. A dona de casa Luzia Correia, 46, disse que não fica tranquila quando começam as chuvas. “Já notei que o barranco, aos poucos, vem cedendo. Morro de medo, mas fazer o quê? Não tenho para onde ir”.

Já a comerciante Cleir Freitas, 47, não tem medo de sua casa desabar, apesar de ter sido construída na encosta de um barranco. “Não cai não. É seguro”, garantiu. 

Na zona norte, os bairros que mais apresentam áreas de risco, de acordo com o CPRM, são Colônia Terra Nova, mais precisamente na comunidade Santa Marta e na Cidade de Deus. Na Cidade Nova 2 e Novo Israel  também há casas em cima de barrancos. “Manaus inteira tem área de risco”, afirmou Marmo.

Medidas

Segundo o chefe da Defesa Civil Municipal, coronel Ari Renato, as providências a serem adotadas para as áreas de risco ainda serão discutidas. “Primeiro vamos ter uma visão das áreas de baixo a alto risco para depois avaliar as providências que devem ser adotadas ”, disse.

O coronel afirmou, ainda, que as medidas dependerão da situação a serem encontradas. “Sabemos que muitas áreas de Manaus são frutos de invasões. No Mauazinho, por exemplo, é preciso fazer uma intervenção em quase todo o bairro”, disse, explicando que as casas foram construídas em cima de encostas e fundo de vales.

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