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Notícias / Amazonas

Cresce número de travestis fazendo programas nas ruas de Manaus

Associação diz que aumento ocorreu, principalmente, nas zonas leste e norte.

domingo 31 de outubro de 2010 - 2:34 AM

Manaus - O número de travestis que fazem programas sexuais nas ruas de Manaus cresceu entre 2009 e 2010. Segundo associações, o aumento de quase 100 travestis ocorreu nas zonas leste e norte da cidade pela dificuldade do grupo em chegar a áreas consideradas tradicionais como o Centro e a Ponta Negra, zona oeste.

Em 2009, a associação tinha 365 travestis cadastrados. Neste ano, esse número passou para 465. Segundo a presidente da Associação Amazonense de Gays, Lésbicas e Travestis (AAGLT), Bruna La Close, o aumento também pode estar associado ao interesse dos travestis em se cadastrar junto à associação. “Com o cadastro eles têm direito a receber o quite de prevenção e ainda participar das ações de conscientização”, explicou.  

Segundo o representante da Associação Orquídea Gays, Lésbicas e Travestis (GLBT), Dartanhã Silva, até julho desse ano, a associação havia identificado 102 travestis trabalhando nas ruas. “Temos como base os quites de prevenção que são fornecidos pelo departamento de Direitos Humanos da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejus)”, comentou.

Os travestis ocupam cerca de 20 pontos em diferentes zonas da cidade. Para Dartanhã, os travestis e prostitutas estão migrando de bairros em Manaus. A ocupação de travestis em pontos tradicionais da cidade, como na área central e em locais como a Ponta Negra, zona oeste, tem sido cada vez menos frequente.

Bruna La Close ressaltou que as mudanças têm ocorrido pelo fato de muito profissionais morarem em determinado bairro e terem dificuldade para chegar até o Centro ou à Ponta Negra, por exemplo. “Digamos que uma delas more na zona leste, é mais conveniente a ela que fique num local mais próximo”, contou.

Hoje, os principais locais ocupados pelos travestis e prostituas estão na zona centro-sul, centro-oeste, leste e norte. “Antes percebíamos uma grande concentração no Centro antigo, hoje, como a expansão da cidade elas estão ocupando mais as principais avenidas dos bairros”, afirmou.

Na Avenida André Araújo, no Aleixo, zona centro-sul, por exemplo, há quatro pontos, sendo três ocupados por travestis e um por prostitutas.

Bairros da zona norte, como a Cidade Nova, também se tornaram pontos para travestis, como ocorre na entrada do Manôa. A bola do Produtor, no Jorge Teixeira, zona leste, e a Avenida Desembargador João Machado (Estrada dos Franceses), também são pontos para os travestis.

Tradicionais

Dartanhã ressaltou que a Ponta Negra, antes tida como um dos pontos mais disputados pelos travestis, hoje, tem pouca procura. “Esse era um local considerado tradicional, vários queriam ficar lá. Hoje, na Ponta Negra só há um ponto”.

Segundo Bruna La Close em locais como a Avenida Djalma Batista e Avenida André Araújo são ocupados principalmente por travestis vindo de outros Estados. “Eles vêm principalmente de São Paulo e são os que chamamos de ‘bonecas’ ou ‘plastificadas’ por serem siliconizadas. Nesses locais, só eles podem ocupar”, afirmou.

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