comments powered by Disqus
Notícias / Amazonas

PMM estuda novo reajuste: a indesejada ‘Tarifa Melo’ para ônibus

Acordo suspende greve, mas não evita mais um aumento no preço da passagem de ônibus, em Manaus, resultado da suspensão dos subsídios anunciada pelo governador José Melo

segunda-feira 13 de fevereiro de 2017 - 7:00 AM

Da Redação / portal@d24am.com

Anúncio sobre a nova tarifa dos ônibus deve ser feito nos próximos dias, conforme apurou o DIÁRIO. Foto: Sandro Pereira

Manaus - A Prefeitura de Manaus já está estudando um novo reajuste no preço da tarifa de ônibus, a chamada ‘Tarifa Melo’, pois é consequência da retirada dos subsídios que o Governo do Amazonas, retirada pelo governador José Melo (PROS) e que representava 18% menos no preço do óleo diesel, que as empresas já voltaram a pagar, à vista, diretamente na bomba de combustível.

O anúncio no corte dos subsídios do Estado, no final do mês passado, foi feito pelo próprio governador. Significa que ele tirou R$ 131,7 milhões do sistema, valores dos subsídios dos últimos três anos e que, junto com os subsídios da Prefeitura, mantinham os preços da tarifa mais baixos para o usuário do sistema.

O DIÁRIO apurou que os técnicos da Prefeitura já iniciaram o estudo para verificar quanto a retirada dos subsídios do Estado para o sistema significará em novo reajuste no preço da tarifa, que deverá ser anunciado nos próximos dias. A passagem de ônibus subiu 10%, no fim do mês passado, de R$ 3 para R$ 3,30. O custo de cada passagem é de R$ 3,55.

Os técnicos já chegaram à conclusão de que não há outro jeito para manter o sistema funcionando, a não ser com um novo reajuste no preço da tarifa, pois as finanças municipais seriam muito prejudicadas e a administração praticamente inviabilizada, se o prefeito resolvesse usar o dinheiro dos cofres municipais para substituir os subsídios já retirados pelo governador.

Na semana passada, em reuniões na quinta-feira e na sexta-feira (9 e 10), com o prefeito Arthur Neto (PSDB) e o vice-prefeito Marcos Rotta (PMDB), os representantes dos sindicatos dos Rodoviários e das empresas (Sinetram) chegaram a um acordo que suspende a ameaça de greve marcada para esta terça-feira.

O acordo fechado, mas ainda não anunciado oficialmente, é de reajuste de 8% nos salários dos rodoviários, com relação ao dissídio 2015/2016 e a inclusão de um dependente de cada trabalhador no plano de saúde. Hoje, só os trabalhadores têm direito ao plano, a partir de março. O sindicato patronal resistia a incluir dependentes no plano, cujo valor não será reajustado.

 

Impacto

Após o corte do incentivo fiscal, o diesel ficou 20% mais caro, segundo informou o assessor jurídico do Sinetram, Fernando Borges. Conforme o Sinetram, o impacto desse reajuste é imediato. “Esse trabalho está sendo feito pela SMTU, o impacto dessas questões todas. É uma questão econômica, qualquer empresa tem que ter uma receita que cubra a despesa. Tem que se deixar claro que as empresas não recebem nada (subsídio), apenas deixa de impactar no preço da tarifa. O subsídio era uma forma de não aumentar a tarifa”, afirmou Borges.

 

Aumento é inevitável, afirma representante dos Rodoviários

O presidente do sindicato dos Rodoviários, Givancir de Oliveira, disse, nesse domingo (12), que o aumento da passagem de ônibus, em Manaus, é inevitável após corte de subsídios do governo do Estado. Ele confirmou que o estudo sobre os impactos do corte dos incentivos fiscais está sendo realizado pela Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) e deve ser entregue, nesta semana.

Para Oliveira, a consequência da suspensão dos subsídios concedidos pelo Estado, na forma de isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do combustível e remissão do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), “será paga pela população”. “Com a retirada do subsídio do óleo diesel e do ICMS que está aí desde o governo do Eduardo Braga, isso (novo reajuste) vai acontecer. Quer dizer, a matemática é exata: se o governo retira os subsídios, alguém vai ter que pagar essa conta, ou a Prefeitura ou a população. Infelizmente é um aumento inevitável depois dessa retirada de subsídios”, disse. 

Ele também confirmou as reuniões da última semana com o prefeito, o vice e o Sinetram e disse que um acordo deve ser firmado até quarta-feira, descartando a possibilidade de greve. “A Prefeitura vem se sacrificando muito para manter a passagem acessível para os usuários, para manter a passagem, que já foi uma das mais caras, como uma das mais baratas do País. Discutimos a questão sobre o aumento do salário da categoria na sexta-feira, mas não falamos sobre aumento da passagem”, afirmou.

 

VEJA TAMBÉM NO D24am