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Número de homicídios no Amazonas cresce 233% em 10 anos, aponta Mapa da Violência

Manaus passou da 24ª, em 2004, para a 16ª posição, em 2014, no ranking das capitais de Estado com a maior taxa de homicídios, um aumento de 166,5%.

quinta-feira 25 de agosto de 2016 - 7:15 PM

Da Redação / portal@d24am.com

Em 2014, o Amazonas registrou a 12ª menor taxa de homicídios do país, mas teve o quinto maior crescimento em dez anos: 175,9%. Foto: Agência Brasil

Manaus - O número de homicídios por arma de fogo no Amazonas cresceu 233% em entre 2004 e 2014 e 9,2,% entre 2013 e 2014, segundo o Mapa da Violência 2016 – Homicídios por Armas de Fogo no Brasil, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), sob coordenação do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz. O ano que registrou mais homicídios desse tipo no Estado foi 2011, com 879 casos.  Em 2012, foram 855. Em 2013, 692 e, em 2014, 756. Em 2004, foram 227.

O Mapa mostra que, em 2014, a taxa de homicídio (por 100 mil habitantes) por armas de fogo no Amazonas foi de 20,2, acima da média nacional, de 21,2, e abaixo da média da Região Norte, de 23,1. Em 2014, o Amazonas registrou a 12ª menor taxa do País. Mas teve o quinto maior crescimento em dez anos: 175,9%.

O crescimento entre 2013 e 2014 foi de 11,6%. A maior taxa no Estado foi registrada em 2011, 24,8. Em 2012, era 23,8 e, em 2013, 18,1. Em 2004, era de 7,3.

No Amazonas, em 2014, foram registradas 723 mortes por armas de fogo, sendo 95,6% de pessoas do sexo masculino, sendo 449 (41,8%) com idades entre 15 e 29 anos. Os números mostram que a maioria das vítimas (686) eram pessoas negras.  Em 2014, a taxa de homicídios entre a população negra (23,3) era quatro vezes maior do que entre a população branca (5,9), no Estado. 

O Amazonas ficou em 10º pior lugar no ranking de Estado com pior taxa de homicídios da população negra.

De acordo com o Mapa, o Amazonas, junto com Acre, Amapá, Piauí, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins, além do Distrito Federal, não tem municípios incluídos entre os 150 com maiores índices de homicídios por armas de fogo. O Nordeste concentra as cidades mais violentas do País. 

Enquanto Rio e São Paulo, por exemplo, conseguiram reduzir os índices de assassinatos após investimentos em segurança, o Nordeste dobrou sua taxa de homicídio de 16,2 para 32,8 entre 2004 e 2014, puxando, ano a ano, os resultados do Brasil para cima.

Manaus 

A taxa de homicídios na capital subiu 166,5% em dez anos. De 2004 para 2014, a taxa subiu de 12,2 para 32,2. A taxa em Manaus, em 2014, era maior do que a média regional, de 31,2 e da nacional, de 30,3. A cidade passou da 24ª, em 2004, para a 16ª posição, em 2014, no ranking das capitais de Estado com a maior taxa de homicídios. A capital teve, ainda, uma queda de 2,7% na taxa, entre 2013 e 2014. 


O mapa mostra que, em Manaus, houve uma variação de 231,7% no número de homicídios por armas de fogo, entre 2004 e 2014, e de 7%, entre 2013 e 2014. Em 2011, a capital registrou o maior número desse tipo de homicídio, com 767 mortes. Em 2012, foram 758, em 2013, 582 e, 2014, 627. Em 2004, foram 189.

Na comparação entre 2004 e 2014, os números do Mapa mostram que a evolução da mortalidade por armas de fogo nas capitais  acompanhou bem de perto a registrada nos Estados, mas com índices ainda mais elevados de vitimização de sua população: se a taxa média nacional foi, em 2014, de 21,2 por 100 mil, a média das capitais foi de 30,3.

Secretaria de Segurança

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP) informou, nesta quinta-feira (25), que, em 2015, o Estado registrou desaceleração no crescimento de homicídios e que, a partir de janeiro de 2016, teve redução numérica dos homicídios em Manaus e em municípios do interior do Estado, “o que não acontecia nos últimos dez anos”.

Em relação a mortes por armas de fogo, de janeiro a agosto deste ano, o Estado registrou o menor número dos últimos três anos, 292 no total, segundo a SSP.
 
De acordo com os dados da SSP, entre janeiro e agosto de 2016, os homicídios no Amazonas caíram 27,7%, na comparação com o mesmo período de 2015. Nesse período, foram registrados 643 homicídios, contra 891, em 2015.  

“A atuação integrada dos órgãos do Sistema de Segurança tem sido fundamental para desacelerar e diminuir os índices que só cresciam até 2015. A Polícia Militar tem atuado com operações específicas nos bairros onde há maior registro de homicídios e a Polícia Civil aumentou a prisão de homicidas, com reforço do Departamento de Polícia Técnico-Científica que melhorou os protocolos para atender local de crime, e os demais órgãos atuando nas ações de prevenção”, disse Sérgio Fontes.

Brasil

O uso da arma de fogo para matar registrou uma escalada no Brasil, em especial nas décadas de 1980 e 1990.

Em cerca de 30 anos, o emprego do instrumento em homicídios passou de 43,9% para 70,8%. A partir de 2003, o crescimento desacelerou, mas não o suficiente para tirar seu protagonismo da arma de fogo. Ela foi o instrumento usado em 71,7% dos cerca 58,9 mil homicídios de 2014. Em números absolutos, os casos multiplicaram-se por sete ao longo do período.

O perfil da vítima de homicídio no Brasil se repete mais uma vez no Mapa da Violência 2016. “São pessoas das periferias, que não têm muita opção estrutural de se inserir no mercado de trabalho”, afirma Jacobo Waiselfisz. Em 2014, 94,4% das vítimas eram homens e 60% tinham entre 15 e 29 anos.

Segundo Jacobo Waiselfisz, a probabilidade de uma pessoa ser morta a tiros também varia com a Educação. Quanto menor a escolaridade, maior é a chance. “Para cada jovem de 15 a 19 anos, que estudou 12 anos ou mais, morrem 44 semianalfabetos. Na faixa entre 20 a 29 anos, essa relação é de 1 para 66”, afirma. Os números fazem parte do estudo Educação: Blindagem Contra a Violência Homicida, deste ano, de autoria do sociólogo.

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