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Amazônia / Meio Ambiente

Com nível acentuado, Rio Negro pode ter grande cheia, diz CPRM

Serviço Geológico do Brasil alerta que se as chuvas continuarem intensas pelos próximos meses na Bacia Amazônica, cheia poderá ser acima da média esperada

quarta-feira 25 de janeiro de 2017 - 9:00 AM

Carla Albuquerque - DEZ Minutos / portal@d24am.com

Áreas nas margens dos rios e igarapés são as que mais sentem os efeitos da cheia. Foto: Sandro Pereira/Arquivo

Manaus - A cota do Rio Negro registrada nesta terça-feira (24) foi de 23 metros e 18 centímetros. De acordo com o gerente de hidrologia do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) André Martinelli, o nível está mais elevado do que o mesmo período do ano passado (19,89m) e em relação aos últimos cinco anos só fica abaixo da marca de 2012 (23,24m), ano em que o Rio Negro atingiu a maior cheia da história (29,97m). Segundo Martinelli, se as chuvas continuarem intensas pelos próximos meses na Bacia Amazônica, a cheia poderá ser acima da média esperada. 

De acordo com o chefe da Divisão de Meteorologia do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Ricardo Della Rosa, em dezembro, choveu em Manaus 470 milímetros, o dobro do que era esperado. Já este mês, ele informou que são esperados mais 301 milímetros, dos quais 291 já foram precipitados. No entanto, Della Rosa informou que apensar de alguns registros esporádicos, os índices não são alarmantes.

O alto índice pluviométrico registrado nos últimos dois meses em Manaus, segundo o gerente de hidrologia do CPRM, André Martinelli, não influencia, necessariamente, na subida do Rio Negro. Ele explicou que as consequências são causadas momentaneamente na cidade, como os alagamentos. “Além disso, pode causar subida nos rios em direção à Itacoatiara, Parintins, aqui no Amazonas, e em Óbidos, no Pará, e até em Belém, mas em Manaus, propriamente dito, não”, avaliou. 

Conforme Martinelli, as águas pluviométricas monitoradas pelo CPRM e que influenciam na enchente do Rio Negro são as que ocorrem nas proximidades da tríplice fronteira Brasil, Colômbia e Peru, nas proximidades da Cordilheira dos Andes. Segundo ele, o nível acentuado de chuva registrado nesses locais são preponderantes para a elevação do Rio Negro e podem acarretar em uma grande cheia. 

Durante o monitoramento, de acordo com o CPRM, o Rio Negro está subindo, em média, 15 centímetros por dia. “Já tivemos registros de até 1 metro em quatro dias. Se as chuvas continuarem dessa forma, podemos ficar com a pulga atrás da orelha e nos prevenirmos para uma possível grande cheia porque já estamos com o nível elevado para essa época”, disse André. 

Todos os anos, o CPRM emite três alertas em relação a cheia. O primeiro, de acordo com o gerente de hidrologia, será emitido dia 31 de março. “Até lá, vamos ver como tudo se comporta”, afirmou.

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