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Notícias / Amazonas

Pichações de imóveis e monumentos crescem e degradam patrimônios

Poluição visual em diversas áreas já faz parte do cotidiano de quem passa pelos muros de casas, órgãos públicos e monumentos históricos no Centro de Manaus

sábado 3 de março de 2012 - 10:13 PM

Prédios na Avenida Eduardo Ribeiro, no Centro de Manaus, são alvos das diferentes gangues de pichadores que atuam na cidade FOTOS Sandro Pereira

Manaus - As pichações nas fachadas de casas, órgãos públicos e monumentos históricos no Centro, São Raimundo, Glória e Coroado deixam a marca da poluição visual e já fazem parte do cotidiano de quem passa pelos locais.

Na Avenida Getúlio Vargas, uma das mais importantes vias do Centro, não é preciso muito esforço para notá-las nas fachadas de lojas e até mesmo de instituições centenárias.

No Colégio Santa Doroteia nem mesmo a altura do prédio foi capaz de evitar a depredação da estrutura arquitetônica, datada de 1910, por meio de pichações.

Com conteúdos variados, partindo de reflexões políticas e sociais até códigos com decodificação aparentemente impossível, o delito enfeia, ainda, residências antigas presentes na Avenida Eduardo Ribeiro que sobrevivem ao tempo e à falta de consciência dos infratores.

Na Praça Antônio Bittencourt, popularmente conhecida como Praça do Congresso, até mesmo os tapumes utilizados na obra de recuperação do passeio público, colocados há menos de três meses, já estão tomados por rabiscos.

No bairro São Raimundo, zona oeste, a situação não é diferente. Na fachada da Escola Estadual Pedro Silvestre, localizada na Rua Rio Branco, os infratores além de desrespeitarem o patrimônio público utilizam as pichações para se comunicar com os demais adeptos da prática.

Outras mensagens estão grafadas nos imóveis do bairro da Glória, zona oeste, como a fachada da Escola Estadual Antônio Bittencourt e de casas e terrenos  localizados na Rua Presidente Dutra, uma das principais vias da área.

No bairro do Coroado, zona leste, a estação de tratamento da concessionária Águas do Amazonas, localizada embaixo do viaduto Gilberto Mestrinho, foi utilizada pelos pichadores para cobrar providências do poder público sobre o caos no setor de transporte coletivo.

No Brasil, as primeiras práticas de pichações e grafitagem adquiriram grande repercussão como arma política, durante o regime militar de 1964. Nesse período, devido  restrições à liberdade de expressão, era comum jovens do movimento estudantil registrarem sua insatisfação nos muros das cidades.

‘E o rap...’?

Em Manaus, um tipo diferente de sinal chama a atenção dos mais curiosos. A pichação ‘E o rap...’ está em todas as áreas da cidade.

Ninguém sabe quem são os autores desta pichação. De acordo com as informações, eles pertencem a uma segmentação de médio a alto poder aquisitivo. Hoje até nos municípios do interior do Estado a pichação já pode ser vista pelos muros.

Combate

No início de fevereiro, uma reunião do Gabinete de Gestão Integrada (CGI) discutiu com empresários e órgão públicos municipal e estadual, planos de punição para os autores de pichação em Manaus. O projeto que está em fase de elaboração prevê, além da repressão, ações de prevenção e orientação aos jovens. A meta é deixar Manaus limpa até 2014.

O que diz a lei

No Brasil, a pichação é considerada vandalismo e crime ambiental,  nos termos do Artigo 65 da Lei 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais), que estipula pena de detenção de 3 meses a 1 ano, e multa, para quem pichar ou  grafitar  edificação  urbana.

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