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Notícias / Amazonas

Resistência transforma atendimento a imigrantes em desafio

Além da resistência cultural, falta de documentação dos indígenas e de histórico vacinal prejudica o trabalho

sexta-feira 19 de maio de 2017 - 8:00 AM

Girlene Medeiros / portal@d24am.com

Meta, ontem, era realizar 90 atendimentos de saúde aos indígenas venezuelanos da etnia Warao. Foto: Girlene Medeiros

Manaus - Com a meta de realizar 90 atendimentos de saúde aos indígenas venezuelanos da etnia Warao que estão na Rodoviária de Manaus, a equipe técnica da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que teve dificuldades para convencer os indígenas a receberem atendimento médico. A Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) informou que os índios devem ser transferidos do Terminal Rodoviário Engenheiro Huascar Angelim, na zona centro-sul de Manaus, para um abrigo, na zona leste da capital, em dez dias.

Ontem, a equipe de saúde realizou consultas médicas, atendimento odontológico, fornecimento de medicamentos, aplicação de vacinas, além de acompanhamento para atendimento de casos emergenciais. Conforme a Semsa, o atendimento é um desafio diante da resistência cultural dos indígenas diante do manejo clínico, além da equipe técnica enfrentar a falta de documentação dos índios, idiomas diferentes falados por eles e o desconhecimento do histórico vacinal dos indígenas.

Segundo a assistente social Wanja Leal, chefe do núcleo de saúde dos grupos especiais da Semsa, a equipe identificou, durante a ação de ontem, uma criança indígena encaminhada para atendimento médico sob suspeita de pneumonia. Na rodoviária, os indígenas passavam por triagem, seguiam de van para a base do Corpo de Bombeiros, na Avenida Desembargador João Machado, ao lado da rodoviária, onde recebiam atendimento.

Segundo Wanja, a ação é voltada, principalmente, para crianças e idosos que são mais suscetíveis às doenças. Wanja informou que, de quarta-feira (17) para ontem, 39 novos indígenas Warao venezuelanos, sendo 17 crianças, chegaram a Manaus pela rodoviária. “As condições de vida deles, de higiene, de alimentação, de abrigamento são muito ruins. Isso tudo tem agravado o quadro dessas crianças”, afirmou a assistente social, acrescentando que uma equipe está sendo formada para integrar um posto fixo de atendimento, aos indígenas venezuelanos imigrantes, que deve estar funcionando nas próximas semanas.

Um dos indígenas atendidos, pela Prefeitura, é o pescador e agricultor Juan Pérez, 35, que chegou dia 7 de janeiro a Manaus, fugindo da crise econômica da Venezuela. Este mês, Juan foi ao país de origem e retornou à capital amazonense com esposa e três filhos, sendo uma menina. “Indígenas estão morrendo na Venezuela porque não têm como comprar medicamentos”, afirmou Juan, acrescentando que é difícil conseguir remédios no país caribenho.

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