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Notícias / Amazonas

Greve que deixou 500 mil pessoas sem ônibus em Manaus chega ao fim

Encontros aconteceram no no MPT/AM e Prefeitura de Manaus e, em ambos, foi determinada a suspensão imediata da paralisação dos ônibus.

terça-feira 10 de abril de 2012 - 11:04 AM

Nova paralisação pode acontecer na próxima terça, dia 17 de abril. Foto: Jair Araújo

Manaus – Os rodoviários do sistema de transporte coletivo de Manaus deram um fim à paralisação dos trabalhos no início da tarde desta terça (10). A decisão foi tomada após votação realizada entre os próprios trabalhadores na garagem da empresa Eucatur, localizada na zona leste da cidade.

A partir das 14hrs, os ônibus vão começar a circular normalmente pela cidade, já que a troca de turno entre os trabalhadores da manhã com os da tarde-noite acontece justamente neste horário.

A reunião foi medida pelo vereador Luiz Alberto Carijó e por Josildo dos Rodoviários, líder da Junta Governamental destituída do poder por uma decisão judicial na noite de segunda (9) e apontado pelo procurador-chefe do Ministério do Trabalho no Amazonas (MPT/AM) como o líder da paralisação.

Os rodoviários concordaram em dar um prazo de cinco dias ao MPT/AM para que possa ajudá-los a resolver problemas que alegam ter com as empresas como falta de pagamento de indenização, desconto de faltas, não recebimento de horas extras.

Além disso, também exigem a saída da atual Junta Governamental que comanda o Sindicato dos Rodoviários, comandada por Francisco Bezerra, e querem eleições diretas para o cargo.

Caso nenhuma das solicitações sejam atendidas, os rodoviários prometem nova paralisação para terça-feira (17).

Reuniões no MPT e Prefeitura de Manaus pressionaram pelo fim da grave

Horas antes da decisão dos rodoviários de suspenderem a greve, reuniões realizadas no Ministério Público do Trabalho e Prefeitura de Manaus na manhã desta terça (10) já haviam determinado a suspensão da paralisação que afetou o transporte coletivo da cidade.

A reunião no MPT/AM contou com a presença do procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho no Amazonas, Jeibson dos Santos, e membros dos motoristas e cobradores de ônibus que apoiavam a greve.

O procurador-chefe do MPT/AM afirmou que o líder da paralisação foi o ex-presidente da Junta Governamental do Sindicato da categoria, Josildo dos Rodoviários, e que, caso após a reunião, a greve não seja suspensa, ele irá responder judicialmente pelos atos.

Jeibson ainda afirmou que está foi “a greve mais esdrúxula que já viu em Manaus”, pois, segundo o procurador-chefe, nem, ao menos, foi feito uma pauta de reivindicações da categoria.

Os rodoviários presentes à reunião se comprometeram a liberar os ônibus das garagens e afirmaram que entregarão em breve uma pauta com as reivindicações da categoria.

Já na Prefeitura, o atual mandatário em exercício, o juiz Lafayete Carneiro Vieira Júnior, se reuniu com membros da Polícia Militar, Manaustrans, SMTU e Gabinete Militar. No encontro, também foi definido o fim imediato da paralisação. 

O atual prefeito determinou a liberação imediata dos ônibus das garagens e afirmou que a situação deve estar normalizada até às 12hrs, o que não aconteceu. Lafayette declarou que considera a greve dos rodoviários realizada na manhã desta terça ilegal e que o Ministério Público do Trabalho deverá tomar medidas sobre o caso.

O prefeito ainda declarou que a volta dos ônibus às ruas será monitorada pelos técnico da Prefeitura.

Paralisação afetou 500 mil pessoas em Manaus

Cerca de 10 mil rodoviários se recusaram a trabalhar, prejudicando cerca de 500 mil pessoas que utilizam o transporte público em Manaus. Paradas e terminais ficaram lotados de passageiros, enquanto os ônibus continuavam nas garagens.

Francisco Bezerra, chefe da junta governativa do Sindicato dos Rodoviários, apontou o ex-presidente do sindicato, Josildo dos Rodoviários, como o responsável pela mobilização. Segundo Bezerra, Josildo participava da Junta, mas foi afastado ontem (segunda-feira) pela Justiça.

Em entrevista na manhã desta terça (10), o diretor administrativo da linha Ouro Verde, Paulo Emerson, afirmou que os trabalhadores não aceitam a nova junta governativa do Sindicato dos Rodoviários, liderada por Francisco Bezerra, que foi colocada pela Justiça em uma liminar expedida na noite de segunda (9). Ele ainda afirmou que os trabalhadores só voltarão ao trabalho quando a Justiça se posicionar sobre o caso.

Representantes do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Manaus (Sinetram) também condenaram a greve e defenderam intervenção judicial para que os rodoviários voltem a trabalhar.

O presidente da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Ivson Coelho, informou, em entrevista a uma rádio local, que a greve é ilegal, pois, a paralisação afeta quase todo o sistema, quando a lei permite que, pelo menos, 30% dos ônibus estejam circulando. Além disso, ele falou que a paralisação aconteceu sem a realização de uma assembleia e não houve aviso prévio à Prefeitura de Manaus.

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