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Notícias / Economia

Comércio do Amazonas tem menor salário do país

Até agosto, antes do dissídio coletivo que aumentou o piso dos vendedores em 11% no Amazonas, eles ganhavam, em média, R$ 540 mensais. A média nacional foi de R$ 641.

sábado 13 de novembro de 2010 - 9:16 PM

Após o último díssídio, o salário base para os trabalhadores do comércio no Amazonas passou para R$ 599,40. Foto: Danilo Mello

Manaus - Os trabalhadores do comércio amazonense têm o salário base mais baixo do País,  segundo dados do ‘Salariômetro’, ferramenta da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) que calcula os pagamentos aos empregados com carteira assinada.

Até agosto, antes do dissídio coletivo que aumentou o piso dos vendedores em 11% no Amazonas, eles ganhavam, em média, R$ 540 mensais. A média nacional para a categoria no período foi de R$ 641. São Paulo (R$ 734), Santa Catarina (R$ 686) e Mato Grosso do Sul (R$ 654) tinham os salários mais altos no primeiro semestre. Após o díssídio, o salário base no Estado foi para R$ 599,40.

Os operadores de caixa do Amazonas também estão em posição desfavorável no ranking nacional da Fipe dos salários básicos. Nos primeiros seis meses deste ano, o rendimento médio para os trabalhadores da área foi de R$ 554, valor que colocou o Estado na 22ª posição. A diferença para Pernambuco (R$ 536), pior colocado, foi de R$ 18.

Os maiores salários para os operadores de caixa são pagos em Santa Catarina (R$ 733), São Paulo (R$ 707) e Espírito Santo (R$ 639). A média salarial para o segmento no Brasil é de R$ 628.

Os vendedores e operadores de caixa  respondem por cerca de 60% dos postos de trabalho ocupados no comércio do Amazonas, estima o Sindicato dos Empregados no Comércio de Manaus (SECM).

Segundo a presidente da entidade, Marlene Arvuelles, na questão dos salários é preciso considerar também a diferença no custo de vida em cada região. “Ao buscar o reajuste do piso, nós trabalhamos para recuperar as perdas inflacionárias. Além do salário, a maioria dos vendedores comerciários ganha comissão que aumenta o salário”, informou.

Perfil

Além da média salarial por ocupação, o ‘Salariômetro’ reúne  dados sobre contratação e o perfil dos empregados com carteira assinada. As informações são baseadas nos registros do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Quem trabalha como vendedor no Amazonas tem, em média, 30 anos e atua na área há, pelo menos, um ano e 11 meses. Mesmo com a estabilidade dos funcionários nos postos de emprego, o setor contratou 4.934 novos trabalhadores até agosto de 2010, segundo os dados do MTE.

Os operadores de caixa têm em torno de 28 anos e estão na mesma empresa há, pelo menos, um ano e dez meses, mostra a ferramenta da Fipe. De janeiro a agosto deste ano, houve 2.120 novas contratações.

Indústria também paga  abaixo da média nacional

De acordo com o ‘Salariômetro’ os trabalhadores com cargos de auxiliares de produção industrial no Amazonas, que estão em todas as fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM), recebem salários médios de  R$ 614, o décimo mais baixo do ranking nacional.

A média nacional é de R$ 678. Os melhores salários para os auxiliares de produção industrial são pagos em  São Paulo (R$ 771), Santa Catarina (R$ 676) e Rio Grande do Sul (R$ 660). Os piores, no Rio Grande do Norte (R$ 538), Paraíba (R$ 532) e Ceará (R$ 526).

Até agosto, as indústrias do Amazonas  contrataram 4.280  novos auxiliares de produção. Os que já estavam empregados tinham idade em torno de 32 anos e estavam no mesmo emprego há, pelo menos, dois anos e dois meses, segundo as informações da Fipe.

Outro cargo da indústria onde o Amazonas tem salários menores que a média nacional é o de soldador. A remuneração média para a ocupação no Estado é de R$ 1.101, enquanto no País a média é de R$ 1.265. No Estado, é o 15º mais baixo do ranking nacional. As indústrias da Bahia (R$ 1.480), Rio de Janeiro (R$ 1.454) e Espírito Santo (R$ 1.405) oferecem os melhores salários.
Para o economista Martinho Azevedo no Rio de Janeiro e em Salvador, provavelmente, o salário é mais elevado porque as pessoas estão empregadas nas indústrias petrolífera e naval e são mais especializadas. “O soldador do Amazonas trabalha geralmente no polo de duas rodas (bicicletas e motocicletas) e em empresas de componente”, disse.

No primeiro semestre, foram admitidos 544   soldadores  no Amazonas. O profissional do setor tem em torno de 37 anos de idade e está trabalhando na mesma empresa há pelo menos 28 meses.

Para a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Elaine Jinkings, a grande oferta de mão de obra e qualificação dos profissionais são algumas das variáveis que acabam interferindo na questão salarial. “Com muita oferta de trabalhador, a tendência é uma diminuição de salários. É por isso que, quanto mais qualificado o profissional for mais valorizado ele será”, analisou. Segundo Elaine, a pressão exercida pelos sindicatos também é importante para a melhoria das condições salariais e de trabalho. “As únicas formas de mexer na massa salarial são a escassez de mão de obra e a atuação sindical”, relembrou.

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