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Plus / Comportamento

Dois em cada dez idosos brasileiros usam internet para compras, aponta pesquisa

O principal meio de acesso é pelo smartphone e o relacionamento com família e amigos é a motivação mais citada para usar internet

sábado 22 de outubro de 2016 - 2:00 PM

Da Redação / portal@d24am.com

Especialista diz que é válido pensar em estratégias e ações de marketing que ofereçam novas oportunidades para os idosos. Foto: Divulgação

Manaus - Mais da metade das pessoas da terceira idade (53,9%) acessam a internet, de acordo com uma pesquisa com idosos acima de 60 anos que mapeou o estilo de vida dessa população e a sua relação com a tecnologia, realizada Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). A pesquisa aponta que, dos idosos que acessam a internet, 39,3% a utilizam o serviço diariamente e dois em cada dez (19,1%) usam para compras online. Os eletroeletrônicos (51,2%), eletrodomésticos (43,1%) e viagens (41,9%) são os itens mais comprados pela internet.

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a pesquisa sugere que há oportunidades significativas para ampliar o comércio eletrônico entre as pessoas com mais de 60 anos. “A adesão ainda, relativamente, baixa mostra que é preciso engajar mais o público da terceira idade, propondo meios para facilitar seu acesso a esse canal de venda”, explica. “Além disso, linhas de produtos específicos para os idosos, em áreas facilmente acessíveis, poderiam proporcionar uma melhor experiência e estimulá-los a se interessar mais pelas compras online”.

Aplicativos

O levantamento identificou que o uso de smartphones para se conectar entre os idosos já é maior do que o de aparelhos mais tradicionais: 61,1% utilizam os smartphones, 53,6% usam os computadores tradicionais de mesa, 37,7% o notebook e 11,4% o tablet.

Ainda que o smartphone seja o principal meio utilizado para se conectar, o uso de aplicativos para esse aparelho ainda não é significativo: praticamente cinco em cada dez pessoas entrevistadas (47,9%) possuem celular, mas não usam nenhum app no dia a dia, contra 27% que usam. Os mais frequentes são os de transações bancárias (11,8%), serviços de transporte individual (8,4%) e de viagens (6,3%).

A pesquisa mostra que entre as principais motivações para o uso da internet estão o relacionamento com familiares (62,9%), amigos (59,8%), a busca por notícias sobre economia, política, esportes e moda (47,8%), e informações sobre produtos e serviços (43,0%). Entre as redes sociais e aplicativos de celular mais utilizados pelas pessoas da terceira idade estão o Facebook (77,3%), o WhatsApp (73,5%) e o YouTube (39,8%).

Saúde

O levantamento do SPC Brasil e CNDL também mapeou o estilo de vida das pessoas da terceira idade e sua relação com questões referentes à saúde, beleza e lazer. Em relação à saúde, o resultado é positivo: 96,3% dos entrevistados afirmam manter algum cuidado, principalmente, através de consultas médicas (54,5%), manter os exames em dia (49,3%) e evitar alimentos gordurosos (43,6%).

Como consequência desses cuidados, a autoavaliação para a própria saúde teve uma nota média de 7,7, em uma escala de 1 a 10. No entanto, quase metade dos idosos brasileiros (48,9%) não possuem um plano de saúde, percentual que chega a 60,9% entre os pertencentes às classes C, D e E, ficando totalmente dependente da saúde pública e de consultas particulares.

Entre os entrevistados que praticam alguma atividade física (30,9%), a caminhada é a atividade mais recorrente (80,2%). Em média, os exercícios físicos são realizados quatro vezes por semana.

Na categoria ‘lazer’, percebe-se que os entrevistados da terceira idade gostam de diversas atividades e apenas 3% não fazem nada. Ver televisão (59,1%), ouvir música (32,9%) e navegar na internet (27,1%) são as atividades mais frequentes e 25,2% dos entrevistados passam boa parte do tempo com amigos.

Segundo a economista-chefe do SPC Brasil, para empresas que estejam interessadas em atender o mercado de consumo da terceira idade, é válido pensar em estratégias e ações de marketing que ofereçam novas oportunidades para esse público. “Os empresários devem pensar em novos produtos e serviços que possam despertar o interesse dos idosos, além de atividades que viabilizem a interação entre as pessoas”, explica Kawauti.

Metodologia

Foram entrevistados 619 consumidores com idade acima de 60 anos de ambos os gêneros e de todas as classes sociais nas 27 capitais brasileiras. A margem de erro é de no máximo 3,9 pontos percentuais para um intervalo de confiança a 95%. Isso significa que em 100 levantamentos com a mesma metodologia, os resultados estarão dentro da margem de erro em 95 ocasiões.

Comércio eletrônico deve dobrar em cinco anos 

Pesquisa do Google mostra que o comércio eletrônico deve dobrar sua participação no faturamento do varejo até 2021, crescendo em média 12,4% ao ano. Isso representa que as vendas vão dobrar em cinco anos, chegando a R$ 85 bilhões. A participação deve sair de 5,4%, em 2016, para 9,5%, em 2021.

Um dos fatores para o crescimento da receita do e-commerce virá de novos consumidores virtuais.

Segundo a pesquisa, nos próximos cinco anos, mais 27 milhões de pessoas irão fazer sua primeira compra online, totalizando 67,4 milhões. Isso irá representar 44% dos internautas em 2021, segundo o estudo.

O levantamento foi realizado, entre 14 e 22 de março deste ano, com cerca de 4,5 mil pessoas nas faixas etárias de 16 a 75 anos. Cada uma respondeu a questões sobre três categorias de produtos que foram, aleatoriamente, selecionadas com base nas compras realizadas nos últimos três meses, online ou offline, pelo menos em uma das 14 categorias do estudo: roupas e acessórios, calçados, móveis, beleza e cosméticos, livros, eletroportáteis, eletrodomésticos, artigos e roupas esportivas, televisores, computadores e periféricos, equipamentos de áudio e vídeo, tablets, smartphones e alimentos e bebidas.

Com o amadurecimento desses consumidores, a variedade de produtos comprados será ampliada. Itens como roupas, calçados, beleza e alimentos devem crescer acima da média do e-commerce, ampliando sua participação no montante total já em 2018. A previsão é de que artigos e roupas esportivas e livros cresçam 17%, e roupas e beleza, 15%, entre 2016 e 2021, acima da média anual de 12,4%. 

Assim, roupas, calçados, beleza e alimentos, que em 2010 tinham 11% no montante de participação das vendas, em 2018, devem ter 25%. Já os eletrônicos, computadores, livros e mídia devem cair de 65% para 52%.

Smartphones vão impulsionar investimentos em mobile

Os smartphones terão maior participação nas compras e vão impulsionar os investimentos em iniciativas com foco em mobile, de acordo com a pesquisa realizada pelo Google. Até o final deste ano, a previsão é de que 19% das vendas do e-commerce deverão ocorrer em dispositivos móveis. Em 2021, a participação será de 41%.

Hoje, 30% dos internautas só podem ser alcançados através do mobile, pois não acessam a internet em outros dispositivos.

Os consumidores serão mais informados e os varejistas terão foco cada vez maior em entender as motivações, comportamentos e afinidades deles.

As iniciativas omnichannel, nas quais há a integração entre o online e o offline, receberão maior investimento para aumento de competitividade. O consumidor omnichannel usa todos os canais de vendas (físicos e virtuais), simultaneamente, e as empresas irão acompanhar esses clientes. Esses consumidores multicanal gastam até 40% a mais e são mais fiéis se comparado àqueles que fazem compras apenas em um canal, segundo a pesquisa.

De acordo com o levantamento, eletrônicos, livros e eletrodomésticos ainda são categorias nas quais o online exerce mais influência nas vendas na loja física. Seis em cada dez vendas desses produtos são precedidas pela interação com a web, e até 2021 essa influência deverá ser ampliada, atingindo oito em cada dez vendas. Os smartphones são os produtos com a maior influência da web, ou 69% das vendas totais. Moda e calçados têm uma influência média (30%).

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