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Notícias / Economia

Profissionais de nível técnico ganham até o dobro do salário de professores

Falta de profissionais técnicos em áreas como mecânica e petróleo e gás eleva salários. Em alguns casos, eles ganham mais que professores universitários no Amazonas.

domingo 2 de setembro de 2012 - 8:00 AM

A diferença é ainda maior quando se compara o salário do professor ao de um técnico em mineração de óleo e petróleo. Foto: Jair Araújo

Manaus - Mais valorizada do que um curso superior, em alguns casos, a formação técnica pode oferecer um salário ‘confortável’ nas fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM) e em setores como o de petróleo e gás. Um técnico em solda do ‘distrito’, por exemplo, chega a ganhar, em média, entre R$ 4 mil e R$ 5 mil por mês, o dobro de um professor da Secretaria Municipal de Educação (Semed), que tem piso salarial de R$ 2.445,27 para 40 horas semanais.

A diferença é ainda maior quando se compara o salário do professor ao de um técnico em mineração de óleo e petróleo, que chega a R$ 5,2 mil. Mesmo quando se considera o acréscimo de R$ 300 de alimentação e R$ 121 de transporte ao salário do professor, que já é acima do que se estabelece o piso nacional, totalizando um ganho de R$ 2.886,27, o técnico chega a receber 80% mais que os responsáveis pelo ensino básico.

De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Amazonas (ABRH), Elaine Jinkings, que também faz parte de uma comissão de trabalho e emprego da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), a falta de técnicos, principalmente nas áreas mecânica e elétrica, é um dos assuntos mais discutidos pela entidade.

Segundo ela, existem técnicos que ganham tanto quanto engenheiros e muitos buscam especializações na área para incrementar mais ainda o salário. Jinkings afirma que além do técnico em solda, um dos profissionais mais demandados pelas empresas do PIM é o técnico eletrônico, cuja remuneração pode ficar em torno de R$ 3 mil. O valor está acima, inclusive, de outras profissões com exigência de curso superior, como é o caso de agente publicitário, que tem salário inicial médio de R$ 1,2 mil.

“Falta clareza às pessoas de quais são as reais possibilidades no PIM, pois os profissionais mais bem sucedidos, normalmente, são os que fizeram cursos técnicos. Hoje, muitas pessoas já compreendem que o curso técnico não é nenhum demérito e, quando o gasto é colocado na balança, percebe-se que ele é até metade mais barato do que uma faculdade”, comentou a presidente.

Profissional de mecânica ‘dita as regras’, diz gestor

O diretor da empresa de consultoria Targo, Carlos Oshiro, afirmou que a demanda por técnicos sempre existiu no PIM, assim como sempre existiu também a dificuldade em conseguir esses profissionais. Segundo ele, a necessidade por técnicos em mecânica para o Polo de Duas Rodas é a mais significativa.

“O profissional em mecânica é quem dita as regras hoje, pois existe um número de vagas maior do que de pessoas aptas. Enquanto um engenheiro mecânico ganha cerca de R$ 12 mil, um de nível técnico chega a receber até R$ 4 mil no PIM”, disse Oshiro.

Segundo Oshiro, fora a área de produção, os setores administrativos sofrem com a falta de técnicos especializados, a exemplo de analistas fiscais e contábeis, que podem ganhar até R$ 6 mil. “Nesse segmento, as pessoas são muito mal preparadas, com falta de entendimento da área mesmo”, ressaltou.

De acordo com dados do Ministério de Trabalho e Emprego (MTE), no Amazonas, um técnico de planejamento de produção ganha cerca de R$ 2,3 mil no Estado.

 

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