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Notícias / Economia

RH da Benção ajuda desempregados por R$ 0,50 em Manaus

Com conhecimento do assunto e boa comunicação, Kennedy conquista o público que acredita no resultado do projeto.

sábado 14 de julho de 2012 - 12:27 AM

Kennedy está abrangendo o trabalho para as redes sociais e já tem 300 seguidores. Foto: Sandro Pereira

Manaus - Quem duvida que uma ideia criativa pode dar um novo rumo às finanças de uma pessoa não conhece a história do ex-industriário Kennedy da Silva. Ele, que ganhava em média de R$ 1.130 como piloto de teste de uma fábrica do Polo Industrial de Manaus, triplicou a renda mensal ao agregar o conhecimento adquirido nas entrevistas de emprego à vontade de ajudar desempregados no que ele chama de “RH das Bênçãos”.

Vendendo a R$ 0,50 o folheto com informações sobre 19 estabelecimentos de Recursos Humanos de Manaus que mais recrutam para indústria, comércio, serviços e estágio, Kennedy fatura por semana R$ 600 só com o “RH das Bênçãos”. É um ganho de 52,9% superior ao antigo trabalho no Distrito.

O folheto tem informações como endereço, ponto de referência, telefone, email, dicas de assuntos exigidos em entrevistas e indica até para qual empresa os locais selecionam. Percorrendo as zonas Leste e Centro-Sul e Centro da cidade nos ônibus com maior concentração de pessoas, Kennedy vende em média 200 folhetos em oito horas de trabalho. Em sete meses, já vendeu 13 mil papéis.

A viagem começa cedo às 7h da manhã, horário de maior fluxo de pessoas nos ônibus. O inventor do “RH das Bênçãos” começa o trajeto no Aleixo e parte para a Avenida Grande Circular, uma das áreas mais movimentadas de Manaus.

São cerca de cinco minutos explicando o conteúdo do folheto e dando dicas para os passageiros. “Ninguém tem esse papel com tanta informação e vocês podem adquirir e abençoar outras pessoas com R$0,50”, diz Kennedy.

Nos 15 minutos em que o DIÁRIO acompanhou Kennedy, ele arrecadou R$ 31,50, sendo R$ 20 somente com a venda dos folhetos. O restante vem da comercialização de guloseimas como bala de mangarataia e jujuba, que complementam a renda do empreendedor em cerca de R$ 1.500 por mês.

A ideia começou em dezembro do ano passado quando Kennedy saiu do emprego no Distrito e era constantemente abordado pelos colegas que pediam informações sobre como conseguir emprego nas fábricas do PIM. “As pessoas me ligavam e perguntavam ‘Kennedy, sabe onde fica o RH tal? E pra tal empresa, onde deixo o curriculum?’ Foi quando eu vi que podia reunir as informações que eu já tinha e ir atrás de outras”, explicou. Ele foi pessoalmente nos locais de recrutamento e colheu os dados. Hoje ele complementa as informações com os classificados dos jornais.

Com conhecimento do assunto e boa comunicação, Kennedy conquista o público que acredita no resultado do projeto.

O vigilante José Galdino está empregado e aposta que o folheto pode ser útil no futuro. “Hoje estou empregado, mas ninguém sabe o dia de amanhã”, brincou. Há até quem entregue o próprio curriculum para Kennedy divulgar nos RHs. “Acabei de voltar do Centro onde fui levar meu curriculum e tive o privilégio de encontrá-lo. Tomara que dê certo”, disse a estudante de pedagogia Claudilane Marinho.

Com renda mensal de R$ 4.000, o ex-industriário conta os ganhos como o novo trabalho. “Consegui alugar uma casa um pouco maior e até um notebook eu comprei, coisa que eu nem podia sonhar em ter com o antigo trabalho”, desabafou. Kennedy está abrangendo o trabalho para as redes sociais e já tem 300 seguidores no Facebook. Ele pretende visitar mais locais e incluir novas informações.

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