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Notícias / Economia

Sindicatos do Amazonas pleiteiam reajustes salariais de até 30%

Em ano de eleição, representantes dos trabalhadores querem negociar alto.

sexta-feira 13 de abril de 2012 - 7:30 AM

O Sindicato dos Vigilantes tem a proposta mais audaciosa e alega que como a categoria está com o piso congelado há quatro anos os trabalhadores querem assegurar todas as perdas neste ano Foto: Raimundo Valentim

Manaus - Em ano eleitoral, seis dos principais sindicatos do Amazonas buscam reajustes salariais para suas categorias entre 8,47% e 30,19%, somente nesse primeiro semestre. Juntas, essas entidades representam mais de 93,5 mil trabalhadores no Estado com data-base marcada para a primeira metade do ano. Os pleitos estão bem acima da inflação medida em 2011, utilizada como parâmetro nas negociações e que foi de 6,5%.

A categoria pertencente ao Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro e Similares do Amazonas (Secheam) é a mais numerosa, com 45 mil trabalhadores, e busca um reajuste salarial de 11,5%, incluindo as perdas inflacionárias e ganho real. De acordo com o vice-presidente do sindicato, Gerson Almeida, o salário médio atual fica entre R$ 2,8 mil e R$ 3,3 mil, sendo o piso de R$ 622.

Os vigilantes são os que buscam a correção salarial mais elevada, de 30%. Seus mais de 22 mil trabalhadores no Amazonas estão com a remuneração ‘congelada’ desde 2008, com piso de R$ 705. Com um impasse jurídico atrapalhando as negociações, a categoria aguarda também uma elevação no tíquete alimentação de R$ 9 para R$ 15.

Já os cerca de 8 mil funcionários das empresas de transportes de cargas no Estado, representados pelo Sindcargas, estão de olho em um reajuste salarial de 15% para carreteiros e conferentes, por exemplo, e 20% para ajudantes de caminhão.

No ano passado, o Sindcargas conseguiu uma correção de até 8%, mas ainda luta para conseguir plano de saúde e uma cesta básica com valor de R$ 150. Atualmente, esse último benefício é de R$ 60. “Já tentamos marcar duas reuniões com os empresários, mas todas foram desmarcadas. Existe ainda uma possibilidade de greve, caso não cheguemos a um acordo”, afirmou Ronaldo Bonta, um dos secretários da entidade.

Para a supervisora técnica do escritório regional do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Alessandra Cadamuro, esse tipo de ‘desgaste’ entre as duas partes é comum.

“A negociação é sempre conflituosa. Tudo é uma disputa, pois é uma relação onde um ganha e o outro perde. O coordenador de relações sindicais do Dieese nacional, José Prado, explicou que é comum os trabalhadores confundirem inflação com custo de vida. “O problema não está na inflação, mas na nossa renda e no custo dos preços dos produtos. O estudo tenta apenas se aproximar da realidade”, observou.

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