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Em 4 anos, Trump pode ultrapassar Obama em ‘centenas de milhões de dólares’ com gastos em viagens

Segundo jornal 'The Washington Post', deslocamentos do presidente e de sua família acumulam gastos milionários e complicam o trabalho do Serviço Secreto

terça-feira 21 de fevereiro de 2017 - 8:15 PM

Estadão Conteúdo / portal@d24am.com

O magnata foi durante anos um dos maiores críticos das viagens do ex-presidente Barack Obama. Foto: Stephen Crowley/The New York Times

Washington - As escapadas do presidente americano, Donald Trump, para a Flórida, as viagens de seus filhos por todo o mundo e o fato de a primeira-dama estar morando em Nova York acumulam gastos milionários e complicam o trabalho do Serviço Secreto nos EUA.

O magnata foi durante anos um dos maiores críticos das viagens do ex-presidente Barack Obama, mas analistas apontam que, no ritmo atual, a conta de seus passeios será amplamente superior à de seu antecessor. O grupo conservador Judicial Watch estima que as despesas de viagem de Obama foram de US$ 97 milhões em oito anos. Levando em consideração as contas das viagens das primeiras semanas de Trump na Casa Branca, ele poderia ultrapassar Obama em "centenas de milhões de dólares" em apenas quatro anos, de acordo com o jornal The Washington Post.

O fim de semana do dia 18 e 19 foi o terceiro seguido que Trump passou em seu luxuoso clube particular em Palm Beach, batizado por ele como "Casa Branca de inverno". As despesas do deslocamento - e todos os agentes que o acompanham - de Washington se somam às de Melania Trump, que saiu de Nova York para encontrar o marido. A primeira-dama não se mudou para a Casa Branca e decidiu ficar na cobertura da Trump Tower de Manhattan para que seu único filho, Baron, termine o ano letivo em Nova York.

O Serviço Secreto, responsável pela segurança do presidente, tem o desafio de zelar pela família Trump em várias residências, Estados e até continentes ao mesmo tempo.

Os dois filhos adultos de Trump, que agora controlam o conglomerado empresarial da família, viajaram neste fim de semana para os Emirados Árabes Unidos para a inauguração de um campo de golfe da marca da família. Desde janeiro, Donald Jr. e Eric foram também ao Uruguai e à República Dominicana. Ainda está previsto que eles viajem ao Canadá nesta terça-feira, 21, para a inauguração de uma Trump Tower em Vancouver.

A viagem de Eric a Punta del Este para promover a empresa familiar custou US$ 97.830 aos contribuintes americanos, de acordo com informações obtidas pelo Washington Post. Apesar de ser uma visita de negócios, a segurança do jovem é de responsabilidade do Serviço Secreto por ele ser filho do presidente.

Os quartos de hotel dos agentes - para duas noites - custaram US$ 88.320. Os gastos com os funcionários da embaixada americana em Montevidéu para dar apoio ao esquema de segurança foram de US$ 9.510.

O detalhe das despesas também revela o custo das escapadas de fim de semana de Trump à Flórida. Calcula-se que cada viagem do presidente a Mar-a-Lago custe US$ 3,6 milhões. Dessa forma, os gastos das três viagens superariam US$ 10 milhões.

As contas foram feitas pelo Washington Post e pelo site Politico com base nos dados de uma viagem de Obama de Washington a Palm Beach em 2013, durante quatro dias, com uma parada intermediária em Chicago para dar um discurso. Os detalhes da viagem e as despesas estão documentados em um relatório da controladoria americana preparado em 2016 a pedido do senador republicano John Barrasso.

Mas Trump não é perseguido somente pelas críticas que fez às viagens de Obama. Ele também havia prometido em entrevista ao The Hill em 2015 que "raramente" sairia da Casa Branca se fosse eleito porque haveria "muito trabalho a fazer".

Além das viagens a Mar-a-Lago, circulam na imprensa informações de que ele pretende passar pelo menos 10 fins de semana em seu clube de golfe na pequena cidade de Bedminster, em New Jersey.

Quando os porta-vozes do governo são questionados sobre as viagens do presidente, eles garantem que Trump segue trabalhando fora da Casa Branca, uma mensagem que lembra uma frase da ex-primeira-dama Nancy Regan: "Os presidentes não tiram férias, só mudam de cenário".  / EFE

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