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Notícias / Política

Consultores revelam como se monta uma equipe de campanha

Especialistas avaliam que são necessários pelo menos dez profissionais para coordenar as áreas específicas de atuação em uma disputa eleitoral e que um grupo mal escolhido pode resultar em derrota

domingo 13 de abril de 2014 - 7:00 AM

Manaus - Um bom projeto de marketing tem o poder de influenciar as pessoas a comprar determinados produtos. O mesmo acontece com as campanhas eleitorais, segundo consultores políticos. E, para convencer os eleitores a votar em determinado candidato, a escolha de uma boa equipe de campanha é fundamental.
Uma equipe mal entrosada pode fazer com que a campanha naufrague, afirmou o consultor político Gaudêncio Torquato. “Uma equipe não ganha eleição, mas se for mal articulada pode levar uma campanha eleitoral ladeira abaixo”, disse.

Ele, que é pioneiro no marketing eleitoral no País e já coordenou mais de 30 campanhas eleitorais, afirmou que a formação da equipe é um dos momentos cruciais para o candidato. “Não é a equipe de marketing que ganha a eleição, mas, aliado as características do candidato, a equipe tem força para ajudar ou derrubar a campanha”, disse.

O consultor político e empresário, Jefferson Coronel, informou que pelo menos dez profissionais formam o núcleo central de uma campanha. Ele, que também já coordenou diversas campanhas no Amazonas, disse que é essencial ter um coordenador-geral com status de ‘gerentão’ da campanha, além de uma equipe jurídica e profissionais de marketing experientes. (ver quadro abaixo). 
De acordo com o consultor e cientista político, Gilson Gil, uma boa equipe é essencial, principalmente neste ano, por conta do grau de competitividade entre os candidatos.

Equipes mistas 

Eles apontam que atualmente, em campanhas com mais de três candidatos com experiência política de vários mandatos, as equipes costumam ser mistas. Ou seja, comandadas por profissionais de fora do Estado e com ações realizadas por profissionais locais. “As equipes de fora são mais sóbrias porque as pessoas do local podem sofrer pressões. Mesmo ‘marqueteiros’ de fora precisam ter pessoas de dentro para auxiliar, pois os ‘locais’ possuem mais noção sobre a realidade da região e suas particularidades”, ponderou Gil. 

Segundo Jefferson Coronel, a escolha por equipes mistas não se dá por conta da falta de profissionais capacitados no mercado local. Ele afirmou que, na maioria das vezes, os ‘melhores’ e com mais experiência em campanhas já firmaram contrato com outros candidatos. “Em Manaus, sempre os candidatos trazem alguém de fora. Tem profissional que já tem afinidade com determinado candidato, aí já está comprometido ou profissionais não querem largar os seus empregos para ir para a campanha. Aí, invariavelmente, os demais candidatos terão de contratar alguém de fora do Estado”, disse.

Com a liberação da propaganda eleitoral nas redes sociais e com a influência desses meios de comunicação no eleitorado, os consultores apontam que é indispensável na campanha uma equipe de marketing digital.
De acordo com Coronel, essa equipe é a responsável não só pelas redes sociais, mas também pela alimentação, por exemplo, do site da campanha e monitoramento das ações no ‘mundo virtual’. Para Gilson Gil, os candidatos precisam contratar especialistas, não só em redes sociais, para lidar com a ‘campanha virtual’ e propagar suas propostas na internet.

Confiança

Pré-candidatos nas próximas eleições afirmaram que os pilares das equipes são formados por profissionais que já os acompanham. É o caso do deputado federal Carlos Souza (PSD), pré-candidato à reeleição. “Normalmente chamo para a campanha as pessoas que já trabalham comigo, até mesmo por uma questão de confiança. Só fazemos intensificar o trabalho”, disse. 

O pré-candidato ao governo do Estado, deputado estadual Marcelo Ramos (PSB), afirmou que prima por estar cercado por pessoas de confiança. “Tenho pessoas que historicamente caminham comigo. Mas, nessa campanha também estou disposto a experimentar com a participação dos coletivos. Abrirei mão do ‘marqueteiro’ porque acredito que os candidatos têm de mostrar o que realmente são”, disse.
O deputado estadual José Ricardo (PT), pré-candidato à reeleição, disse que o núcleo de sua campanha é formada por amigos e voluntários. “Geralmente minha equipe é pequena por conta da falta de recursos. O partido custeia o programa de TV e alguns panfletos”, disse.

Profissionais que atuam nas campanhas:

Coordenador geral: é o membro mais importante da equipe e quem está em contato direto com o candidato. É o responsável  por todos os aspectos da campanha, desde a arrecadação de recursos até o contato com os eleitores. Ele deve estar inteirado da estratégia eleitoral adotada na campanha e tem de saber delegar as funções para cada membro da equipe.

Coordenador Financeiro: é o responsável pela arrecadação de recursos e para execução dos gastos ao longo da campanha. Ele é o responsável por pensar em ações para trazer potenciais investidores para a campanha, além da realização de eventos para doações de pessoas físicas. Também é o responsável por coordenar as prestações de contas à Justiça Eleitoral.

Coordenador Jurídico: responsável por comandar o corpo de advogados que responderão as ações referentes ao candidato, comitê de campanha, coligação e partidos políticos perante à Justiça Eleitoral. Ele também é o responsável por analisar os atos dos demais candidatos ao pleito para estudar o ingresso de ações que possam beneficiar o seu candidato.

Coordenador de Marketing e Comunicação: a função pode ser exercida por um profissional que delegará a responsabilidade pelo marketing e comunicação da campanha para outros dois profissionais. Ele é o responsável por comandar uma equipe formada, entre outros, por redatores, repórteres, cinegrafistas e roteiristas.

Coordenador de Publicidade: responsável por comandar a equipe formada por  profissionais de marketing e publicidade que são a estrutura de produção da campanha. São eles quem transformam as ideias do candidato em ações a serem realizadas ao longo da campanha. Atualmente, uma equipe de marketing digital é responsável pelas ações no ambiente virtual.

Coordenador de Produção: também chamado de Coordenador de Comunicação, responsável pela equipe formada por cinegrafistas, repórteres, editores e assessores de comunicação. Coordena o monitoramento das notícias sobre o candidato e a produção de conteúdo. Atualmente, os candidatos tem optado por designar um jornalista por meio de comunicação.

Coordenador de Pesquisa: é o responsável pela execução e avaliação dos resultados de pesquisas quantitativas e qualitativas. Os resultados embasarão os programas televisivos ao longo da campanha, produzidos por uma produtora contratada, e as ações do candidato, tais como visita em bairros, temas que deve abordar em discursos à população e nos debates.

Coordenador de Militância: a função pode ser realizada por várias pessoas divididas em bairros, zonas, municípios e/ou calhas de rios. É o responsável por divulgar as propostas do candidato junto à militância (apoiadores diretos da campanha). É o responsável por municiar os militantes com  material de apoio para as ações como banners, panfletos e ‘santinhos’ sobre o candidato.

Militantes: são os principais apoiadores da campanha que  recebem ou não pagamento pelos serviços prestados ao candidato. São responsáveis por difundir nos bairros e, no caso da eleição para o governo do Estado, nos municípios as propostas do candidato. São os representantes informais dos candidatos para a população e principais divulgadores das ações.

Cabos eleitorais: são pessoas contratadas para trabalhar nas campanhas eleitorais para os candidatos por um período de três meses. Eles são os responsáveis pela execução das ações ao longo da campanha como ‘bandeiraços’, distribuição de ‘santinhos’, panfletos e mobilização em frente aos locais de debate e demais materiais relacionados a divulgação do candidato.

 

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