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Notícias / Política

Executivo da JBS acusa e senador Eduardo Braga diz que vai processar delator

Em nota, parlamentar afirmou que estuda medidas legais contra Ricardo Saud, ex-diretor de Relações Institucionais da J&F

sexta-feira 19 de maio de 2017 - 6:28 PM

Da Redação / portal@d24am.com

A assessoria de imprensa do senador Eduardo Braga informou que a delação do executivo Ricardo Saud contém “erros crassos e graves". Foto: Divulgação

Manaus - Em delação premiada, o ex-diretor de Relações Institucionais da J&F, de Ricardo Saud, disse que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega pediu a Joesley Batista, um dos donos da empresa, que repassasse R$ 35 milhões a seis senadores do PMDB: R$ 2 milhões para Valdir Raupp, R$ 8 milhões para Renan Calheiros, R$ 8 milhões para Eduardo Braga, R$ 8 milhões para Vital do Rêgo, R$ 8 milhões para Jader Barbalho e R$ 1 milhão para o PMDB do Tocantins.

Em nota distribuída nesta sexta-feira (19), dizendo que sua defesa estuda medidas legais contra o delator, a assessoria de imprensa do senador Eduardo Braga (PMDB-AM) informou que a delação do executivo Ricardo Saud, da J&F, contém “erros crassos e graves”.

Sobre o senador, diz a nota: “Saud é explícito ao afirmar que sua empresa fez doações eleitorais registradas para a campanha de Eduardo Braga ao Senado Federal. É falso. Os registros da Justiça Eleitoral comprovam que Eduardo Braga não recebeu nenhuma doação do grupo J&F por via direta ou por meio de seu partido, o PMDB”.

A nota da assessoria de Braga acrescenta: “Outra inverdade se refere ao apoio de Eduardo Braga à ex-presidente Dilma Rousseff. A relação de proximidade entre ambos remonta ao período em que Dilma foi ministra do governo Lula. No governo Dilma, Eduardo Braga foi ministro de Minas e Energia, líder do governo no Senado e nunca negociou seu apoio à ex-presidente em qualquer base”.

Saud informou uma listagem de doações que somam quase R$ 600 milhões para 1.829 candidatos de 28 partidos das mais variadas colorações. Ele detalha que a empresa conseguiu eleger 179 deputados federais de 19 siglas, bancou 28 senadores da República e fez 16 governadores.

O lobista da J&F explicou que os R$ 35 milhões foram descontados dos R$ 300 milhões que estavam disponíveis para o PT usar na campanha, referindo-se a essa contabilidade como a "conta-corrente da propina". O delator disse que Joesley Bastista, , discutiu esse repasse com o ministro Guido Mantega. O empresário anotou o acerto no papel e, no dia seguinte, pediu a Saud que o apresentasse a Michel Temer para saber se aquela combinação estava valendo. Saud afirmou ter ido à casa de Temer em São Paulo.

Saud traçou, em delação premiada, um verdadeiro inventário da propina, com listagem de doações.

Ele alerta o procurador, no depoimento filmado, que praticamente “tudo é propina”, exceto a quantia ínfima de R$ 15 milhões diante do total de quase R$ 600 milhões. A listagem com valores, cargos, partidos, entre outras informações, foi entregue por Saud aos investigadores: “Estão pessoas estão cientes disso”.

Quando o depoimento já estava sendo finalizado, o executivo pede a palavra: “É importante a gente trabalhar que desses R$ 500 milhões, quase R$ 600 milhões que estamos falando aqui, praticamente, tirando esses R$ 10, R$ 15 milhões aqui, o resto tudo é propina. Tudo tem ato de ofício, tudo tem promessa, tudo tem alguma coisa. Então eu gostaria de deixar registrado que nós demos propina para 28 partidos. Esse dinheiro foi desmembrado para 1.829 candidatos. Eleitos foram 179 deputados estaduais de 23 estados, 167 deputados federais de 19 partidos. Demos propina para 28 senadores da República, sendo que alguns disputaram e perderam eleição para governadores e alguns disputaram a reeleição ou eleição para o Senado. E demos propina para 16 governadores eleitos, sendo quatro do PMDB, quatro do PSDB, 3 do PT, 2 do PSB, 1 do PP, 1 do PSD. Foi um estudo que eu fiz, por conta minha (...) Acho que no futuro vai servir. Aqui estão todas as pessoas que receberam propina diretamente ou indiretamente da gente.

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