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Notícias / Política

Manifestações organizadas pela Internet apertam o cerco contra os políticos

A manifestação da população pela web contra a classe política ou em favor de direitos vem incentivando o que ficou conhecido como ativismo de sofá, inclusive no Amazonas.

domingo 24 de março de 2013 - 11:30 AM

Após mobilização na internet, grupo faz manifestação em frente ao Congresso Nacional contra Renan Calheiros. Foto: Marcello Casal Jr/ ABr

ManausA manifestação da população pela internet contra a classe política ou em favor de direitos vem incentivando o que ficou conhecido como ‘ativismo de sofá’, inclusive no Amazonas. A novidade promete ‘apertar o cerco’ contra a classe política, que já se desdobra para atender as exigências da população.

A maioria dos políticos diz não temer as cobranças e até apoia as mobilizações. Para o deputado Sidney Leite (DEM), por exemplo, a cobrança da população através da internet resgatou o que a maioria dos políticos temia antes da ditatura, a manifestação popular. “Nós tivemos um hiato no período da ditadura. Houve um enfraquecimento dos movimentos sociais depois disso, mas que está sendo resgatado agora, e isso é bom”, disse.

Sidney citou a mobilização contra a eleição de Renan Calheiros (PMDB/AL) à presidência do Senado. “A população foi muito firme, mais de um milhão de pessoas se manifestaram”, lembrou.

Opinião semelhante teve o deputado Belarmino Lins (PMDB) , que considerou “legítima” a manifestação da população através da internet. “Defender o ponto de vista é um direito constitucional. Isso é democracia. Não importa se é feito pela internet”, disse.

Para o deputado Marcelo Ramos (PSB), “quanto mais formas de participação da sociedade no parlamento, melhor”.

As mobilizações não se limitam a opiniões nas redes sociais e se tornaram meios de formular abaixo-assinados, inclusive em favor da classe política. O deputado Francisco Souza (PSC), por exemplo, anunciou na semana passada que fará uma mobilização na internet em prol da unificação das eleições - majoritárias e proporcionais. A medida é uma iniciativa da União dos Legislatores e Legislativos (Unale), que também está se mobilizando pela internet.

Mesmo apoiando as mobilizações, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), deputado Josué Neto (PSD), disse ver “com receio” a elaboração de abaixo-assinados pela internet.

“O mundo virtual é um meio onde ainda existem muitas falhas. É necessário uma forma de controle para que essas manifestações e abaixo-assinados não sejam falsificados”, disse. “Mesmo assim, a classe política precisa se adaptar, porque o momento social exige isso”, completou.

O ‘ativismo de sofá’ é considerado legítimo por sociólogos e cientistas políticos do Amazonas, e mais ainda pelos movimentos sociais, que aproveitam a internet para propagar posições políticas em defesa de uma causa específica.

Manifestações eletrônicas têm que ir às ruas

O ‘ativismo de sofá’ ainda gera polêmica entre cientistas, sociologos políticos e líderes de movimentos. Os cientistas temem que as manifestações eletrônicas enfraqueçam os movimentos de rua, enquanto os movimentos defendem que a mobilização aumenta porque provoca o interesse das pessoas nas redes sociais.

Para o presidente do Instituto Amazônico da Cidania (Iaci), Hamilton Leão, as “manifestações eletrônicas” estão tendo efeito pedagógico em relação aos direitos sociais. “As pessoas estão mais interessadas na política. Estão aprendendo a opinar através das redes sociais. Você pode ver que a maioria opina e não tolera mais”, disse.

Há mais de 10 anos participando de movimentos políticos, Leão, que também mantém um blog, disse que a internet é a ferramenta mais eficaz para começar uma mobilização.

Para o coordenador do núcleo de cultura política da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), antropólogo Ademir Ramos, as manifestações eletrônicas só têm legitimidade se forem aliadas às mobilizações de rua. Segundo ele, apesar das mais de um milhão de assinaturas para derrubar Renan Calheiros, a mobilização não foi suficiente porque não houve manifestações em via pública. “As duas coisas caminham juntas. Uma aliada à outra. Uma propaga a informação, a outra consolida o ato político”, defendeu Ramos.

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