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Notícias / Política

Minas suspende exames de estudantes após charge polêmica de Lula

Na charge, Lula aparece dando dinheiro a políticos.

sexta-feira 8 de abril de 2011 - 5:49 PM

Belo Horizonte, 08 (AE) - A Secretaria de Estado de Educação (SEE) de Minas Gerais estuda uma forma de controlar o conteúdo do banco de dados usado na elaboração das provas da rede estadual de ensino. O sistema, que permite a cada professor, com uso de uma senha pessoal, gerar aleatoriamente os exames com base em 56.707 itens (perguntas e respostas), foi retirado do ar após protestos dos partidos de oposição ao governador Antonio Anastasia (PSDB) por causa de uma charge com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma prova do Programa de Avaliação da Aprendizagem Escolar (PAAE) aplicada a alunos do Ensino Médio.

Na charge, Lula aparece dando dinheiro a políticos e a resposta correta para a interpretação do desenho era de que ele "sugere, ironicamente, uma relação entre os movimentos sindicais do início da década de 1980 e o mensalão, refletindo sobre o processo histórico que levou os mesmos personagens de uma luta pela valorização do trabalhador à corrupção política". A SEE considerou a inclusão da questão em uma prova de História "totalmente inadequada" e determinou que o sistema vai ficar indisponível enquanto todos os itens não forem revisados.

Por meio de sua assessoria, a secretaria informou que o sistema foi elaborado em 2007, período em que professores de várias instituições foram contratados para fazer as questões. Entre 2007 e 2009, foram inseridos 36.507 itens no banco de dados, mas nenhum deles foi revisado. As checagens começaram apenas a partir de janeiro de 2010, quando houve inserção de outros 20.200 itens. Porém, de acordo com a SEE, todas as questões, mesmo antes da revisão, deveriam ser elaboradas com base em um manual do próprio órgão, que recomenda a rejeição de "temas relacionados a preconceito e discriminação", "abordagens fora do contexto, muito genéricas ou restritivas" e "abordagens de pregação religiosa ou ideológica".

A questão que gerou toda a polêmica e "contradiz integralmente" as regras do manual foi elaborada pelo professor Frederico Alves Pinho, de 31 anos, da rede pública estadual, mas a secretaria adiantou que ele não pode ser responsabilizado. A SEE assumiu o ônus por não ter feito a revisão. Na prova que continha a charge havia também uma questão relacionada às privatizações promovidas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A resposta correta na prova era que as privatizações "reduziram o déficit público para permitir ao governo direcionar recursos para áreas sociais".

Segundo a assessoria, a secretária de Educação, Ana Lúcia Gazolla, determinou uma consulta jurídica para verificar de que forma será feita a revisão do conteúdo. Uma das possibilidades é a criação de um grupo de trabalho com técnicos do órgão para avaliação constante do conteúdo. Até lá, o sistema ficará fora do ar e o PAAE, realizado no início e fim de cada ano letivo, suspenso. Os professores terão de elaborar manualmente as questões das provas aplicadas nas salas de aula. O Grupo Estado não conseguiu localizar o professor Frederico Pinho nesta sexta-feira (08).

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