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Notícias / Saúde

Bebês com chikungunya são internados com lesões semelhantes a queimaduras de sol

Sintoma foi relatado no Ceará pela Sociedade Cearense de Pediatria, que alerta para a internação em Unidades de Tratamento Intensivo

sexta-feira 19 de maio de 2017 - 12:08 PM

Estadão Conteúdo / portal@d24am.com

Infectologista elaborou documento com orientações para o reconhecimento das lesões, para a adoção de medidas, especialmente em bebês de até 6 meses. Foto: EBC

Fortaleza (CE)- Bebês infectados pela chikungunya no Ceará têm manifestado sintoma diferente dos normalmente relatado, como febre, dores nas articulações e pequenas bolhas na pele. A Sociedade Cearense de Pediatria (Socep) alerta que as crianças estão sendo internadas em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) com lesões graves na pele, semelhante a queimaduras causadas pelo sol.

A descrição do novo sintoma foi feita pelo médico infectologista Robério Dias Leite, presidente do Departamento Científico de Infectologia da Socep, que observou o problema em seus pacientes e elaborou um documento, emitido pela entidade, com orientações para o reconhecimento das lesões.

O objetivo, explica o médico, é adotar medidas de proteção específicas para os bebês, especialmente os que têm até 6 meses de idade. De acordo com ele, o surgimento dessas bolhas em crianças pequenas torna necessário o tratamento em centros especializados, dotados de UTIs. Ainda segundo Leite, há relatos semelhantes feitos na Ásia e no Caribe.

O infectologista afirma que o motivo da relação ainda é desconhecido. “Mas, como estamos enfrentando um quadro de epidemia no Ceará, é preciso fazer o alerta para evitar a morte desses bebês”, explica Leite. 

As lesões também podem manifestar-se em crianças maiores e em adultos. A preocupação com os bebês pequenos, no entanto, é maior porque a queimadura pode ocorrer de forma ainda mais agressiva. "O que mais preocupa, sobretudo nos bebês menores de 6 meses, é a disseminação dessas bolhas."

Como medida de proteção à doença, Leite recomenda aos pais que usem mosquiteiros (véus de proteção no berço ou na cama), já que o uso de repelentes está contraindicado para menores de seis meses. Para crianças acima dessa faixa etária, além dos mosquiteiros, é necessário o repelente.

Queda de registros
Dados divulgados no início do mês pelo Ministério da Saúde indicam queda de registros no País de dengue, zika e chikungunya - transmitidas pelo Aedes aegypty. Até 15 de abril, o número de casos suspeitos de dengue caiu 90% em relação ao mesmo período de 2016, de chikungunya, 68%, e de zika, 45%.

Neste ano, o Ceará já apontou 1.867 casos de chikungunya - mais da metade em Fortaleza - e cinco mortes, entre elas a de um bebê com dez dias.

 

Vulneráveis

Crianças, idosos e portadores de doenças preexistentes são considerados mais vulneráveis ao vírus. Nestes casos, a recomendação é de que a pessoa, independentemente da intensidade das dores, procure um posto de saúde ou outro local de atendimento médico.

“Se o paciente é hipertenso, ele vai ter picos hipertensivos. Se é diabético, vai registrar alteração de glicemia repentina. A chikungunya descompensa qualquer condição de base e altera o perfil de adoecimento e morte”, explica a coordenadora Daniele Queiroz.

Segundo a coordenadora, a literatura médica diz que, embora incapacitante, a doença, em geral, não leva à mortes. No entanto, em 2016, segundo o Ministério da Saúde, o Ceará registrou 26 óbitos. Neste ano, cinco pessoas morreram em janeiro por complicações da doença.

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