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Amazônia / Ciência

Fundação de Medicina Tropical inicia nova fase de pesquisa inédita sobre Tuberculose

O objetivo é apontar novas alternativas para o controle da doença

sexta-feira 24 de março de 2017 - 10:45 AM

Com informações de assessoria / portal@d24am.com

Em Manaus, a pesquisa é conduzida por um grupo de pesquisadores da FMT, formado por médicos, enfermeiros, biólogos, bioquímicos e biomédicos. Foto: Divulgação

Manaus – A Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) dará início a segunda fase de uma pesquisa inédita que pretende identificar fatores genéticos relacionados a falhas e efeitos colaterais do tratamento da Tuberculose. O objetivo é apontar novas alternativas para o controle da doença. A Tuberculose é considerada um problema de saúde pública. Junto com o HIV, é responsável pelas principais causas de morte entre as doenças infecciosas, no mundo.

A pesquisa, que começou com a coleta de amostras em 2016, entra agora na fase de análise desse material. O projeto, denominado de Pesquisa Regional Prospectiva e Observacional em Tuberculose (RePORT-Brasil), reúne especialistas de instituições do Brasil, Índia, África do Sul, Indonésia, China e Rússia. O Brasil é o primeiro país a iniciar a segunda fase do projeto.

Junto com a FMT-HVD, participam do estudo no Brasil a Fundação José Silveira (FJS), de Salvador; a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-RJ), Secretaria Municipal de Saúde do RJ e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em Manaus, a pesquisa é conduzida por um grupo de pesquisadores da FMT, formado por médicos, enfermeiros, biólogos, bioquímicos e biomédicos.

De acordo com o coordenador da pesquisa na FMT-HVD, Marcelo Cordeiro, a primeira fase do projeto foi dedicada a coleta de amostras de sangue, urina e secreções respiratórias, em pacientes e pessoas próximas aos pacientes. As amostram foram armazenados em um biorrepositório na FJS. 

“Na FMT, já foram coletadas informações e amostras de 200 pacientes, entre eles pessoas próximas do doente”, destacou. O estudo pretende incluir 3.600 indivíduos no Brasil.

Cordeiro explica que, a partir de agora, essas amostras serão analisadas. A previsão é que os estudos se estendam por mais dois anos, período em que os pacientes serão acompanhados. Algumas questões a serem observadas são se pessoas próximas adoeceram, por que os diabéticos desenvolvem mais a doença e como a Tuberculose evolui em pacientes com HIV.

“São questões que, em geral, não se consegue ter respostas em apenas seis meses, que é o tempo mínimo de tratamento da Tuberculose. É preciso um estudo mais aprofundado, como este que está sendo feito”, afirmou.

Marcelo Cordeiro ressalta que, a longo prazo, o que se espera é que essas pesquisas possam indicar novos tratamentos contra a Tuberculose, mais eficazes no combate aos problemas identificados. E, também, novos exames (testes genéticos) que possam indicar, antes mesmo de o paciente iniciar a medicação, a resistência da bactéria ao tratamento.

Experiência

A FMT-HVD vem acumulando ao longo dos anos expertise na área de Tuberculose. Junto com instituições do Rio de Janeiro, a FMT coordenou os estudos que possibilitaram a adoção, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), do teste rápido molecular de diagnóstico de Tuberculose – o GeneXpert. A nova tecnologia passou a ser utilizada em 2015.

“Esse foi o primeiro estudo multicêntrico que a FMT participou nessa área e que nos inseriu no cenário nacional e internacional de pesquisas relacionadas à Tuberculose”, disse a diretora-presidente da instituição, Graça Alecrim.

Segundo a diretora, desde 2011, quando foi criado um grupo de pesquisa específico para estudar a Tuberculose, a FMT tem se destacado como uma das instituições mais atuantes nessa área. Atualmente, 7 projetos de mestrado e 3  de doutorado estão sendo conduzidos em Tuberculose na instituição.

O Dia Mundial de Combate à Tuberculose foi criado em 1982, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em homenagem aos 100 anos do anúncio do descobrimento do bacilo causador da Tuberculose, ocorrido em 24 de março de 1882, pelo médico Robert Koch.

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