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Notícias / Saúde

Musicoterapia se consagra como aliada da medicina

Técnica é hoje muito utilizada para o tratamento de diversas doenças

sexta-feira 8 de fevereiro de 2013 - 8:20 AM

A música tem finalidades terapêuticas e grande potencial de cura, segundo pesquisas Foto: Jair Araújo

São PauloHá apenas 15 anos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu a importância de inserir a musicoterapia nos centros multidisciplinares de saúde. Contudo, há séculos a música é utilizada com fins restauradores pelo homem. Um dos registros mais antigos sobre o uso da técnica foi deixado pelo médico e filósofo persa Avicena (980-1031), que prescrevia canções, além de opiáceos, para aliviar a dor.

Atualmente, há clínicas integralmente dedicadas ao método, além de hospitais que adotam, além da musicoterapia, a cantoterapia. Segundo Meca Vargas, fundadora, coordenadora e docente do Antropomúsica, curso de formação em música com viés pedagógico e terapêutico, a técnica ajuda em casos de reumatismo, parkinson, fibromialgia, esclerose múltipla, disfunções vocais e de fala, depressão, insônia, pânico, problemas respiratórios, entre outras patologias.

Segundo a terapeuta, o efeito no organismo se dá pela vibração do som, que “desbloqueia o sistema nervoso, ativa o sistema glandular, leva ritmo ao sistema cardiopulmonar, libera tensões musculares e coloca em movimento o sistema metabólico-locomotor”.

As reações são psicofisiológicas, como define Sheila Volpi, vice-coordenadora do curso de Musicoterapia da Faculdade de Artes do Paraná (FAP). “É comum associar a música somente ao sentido da audição, mas ela também é percebida pelo sistema tátil. Ao ser captada pelo corpo, provoca efeitos de natureza biológica e emocional, além de movimentos corporais”, diz.

Maristela Smith, fundadora e coordenadora dos cursos de graduação e pós-graduação em Musicoterapia e da Clínica-Escola das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), acrescenta que a técnica ainda estimula centros nervosos e proporciona um aumento nos níveis de neurotransmissores responsáveis pelo equilíbrio.

No consultório mantido pela FMU, são tratadas pessoas com problemas de comunicação e de relacionamento, além de portadores de patologias neurológicas. Segundo a especialista, além destas aplicações, também se nota um grande interesse por parte de hospitais e clínicas odontológicas em adotar o tratamento para diminuir a dor e o grau de estresse pós-cirúrgico.

Mesmo quem não apresenta qualquer disfunção pode fazer uso da terapia, que, nesses casos, assume uma função preventiva. Luisiana Passarini, do Centro de Musicoterapia Benenzon Brasil, cita, entre os benefícios, o fortalecimento do vínculo afetivo entre mães (incluindo gestantes) e bebês e a promoção do autoconhecimento entre adultos.

Seja qual for a indicação, cada caso envolve uma prescrição específica de melodias, escolhidas conforme o tratamento a ser realizado e as características físicas, mentais e sociais do paciente. Esse histórico também abrange o contexto cultural em que o indivíduo cresceu e vive atualmente, como ressalta Vargas. O mesmo procedimento vale para os trabalhos em grupo. Não há restrição de estilos ou gêneros. O importante é que a música atue como um meio de transformação e jamais reforce a patologia. No caso da cantoterapia e das sessões que envolvem o uso de instrumentos sonoros, a composição também deve ser de fácil execução. “Nas ocasiões em que é priorizada a audição, pode-se usar um CD com orquestrações mais complexas”, diz a especialista, que também é regente, cantora e violinista.

Em média, as sessões duram entre uma hora e uma hora e meia. A sequência das ações depende de cada caso. “O paciente psiquiátrico é recebido com um diálogo sobre as atividades da semana e, depois disso, realiza algumas atividades de motricidade, coordenação, pulso, respiração e concentração, entre outros”, esclarece. Cumprida essa etapa, ele então é levado a se expressar por meio do canto ou dos instrumentos à disposição.

Especialistas têm apoio dos familiares de pacientes

Para acompanhar o quadro dos pacientes, o especialista pode ainda contar com o apoio de familiares e de médicos envolvidos no tratamento. Segundo Maristela Smith, fundadora e coordenadora dos cursos de graduação e pós-graduação em Musicoterapia e da Clínica-Escola das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), na Clínica-Escola da FMU há muitos encaminhamentos de neurologistas e psiquiatras, além de psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e enfermeiros.

Segundo especialistas, em outros casos, o trabalho multidisciplinar é feito em conjunto, no mesmo local. Passarini informa que os profissionais do instituto atuam em prontos-socorros infantis e Unidades de Terapias Intensivas (UTI) de hospitais de São Paulo.

Prática cotidiana

No cotidiano, o simples ato de ouvir músicas, cantar e tocar instrumentos pode proporcionar bem-estar para o organismo. Porém, os especialistas ressaltam que para que seja estabelecido um trabalho terapêutico, a presença de um profissional habilitado é fundamental.

“É preciso ter conhecimentos que possibilitem compreender os processos psíquicos, emocionais, físicos, biológicos, grupais que se apresentam durante as sessões”, explica Sheila Volpi, vice-coordenadora do curso de Musicoterapia da Faculdade de Artes do Paraná (FAP).

Benefícios

1 A musicoterapia recebe as mais diversas definições. Para Cristiane Ferraz, psicóloga e musicoterapeuta do Serviço de Terapia da Dor e Cuidados Paliativos e Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), significa usar a música e propriedades do som em uma relação terapêutica, seja para fins psicoterapêuticos de reabilitação, ou conforto e bem-estar

2 O impacto dessa terapia em quem passa por uma doença grave ou crônica é positivo. Por meio da música e da letra de canções, o paciente consegue exteriorizar o que sente, expressar desejos, medos, insegurança e dúvidas

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