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Radioterapia no AM abaixo do indicado 

Quantidade de aparelhos de radioterapia, necessários para o tratamento de câncer, é insuficiente para a população do Estado, segundo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS)

domingo 19 de março de 2017 - 8:00 AM

Girlene Medeiros / portal@d24am.com

Radioterapia FCecon diz que tem três máquinas, mas SBRT diz que a unidade tem duas Foto: Jair Araújo/ Aquivo

Manaus - O Amazonas tem menos aparelhos de radioterapia do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Estado, a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas () informa que dispõe de três aparelhos, mas a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) afirmou que são dois equipamentos disponíveis para o serviço. A recomendação da OMS é de um equipamento a cada 300 mil pessoas. Com 4 milhões de habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Amazonas deveria dispor de 13 equipamentos para radioterapia. 

De acordo com o radio-oncologista André Campana, que também faz parte da diretoria regional da SBRT,  na Região Norte há nove máquinas para radioterapia, no Serviço Único de Saúde (SUS),  que não são suficientes para atender a demanda da população.

Segundo Campana, no Amazonas, a FCecon dispõe de duas máquinas para radioterapia: uma de cobalto e uma aceleradora nuclear que permite menor reação na pele dos pacientes. O médico radio-oncologista mencionou que está prevista a instalação de uma terceira máquina, também aceleradora nuclear, para a FCecon como parte do Plano de Expansão da Radioterapia por meio do SUS.

De acordo com o médico, a FCecon também atende pacientes com câncer de cidades do Pará e de Boa Vista, em Roraima, enviadas pelo governo estadual local, já que não há tratamento incluindo radioterapia, pelo SUS, em Roraima. “Não se contabiliza quantas pessoas ficam sem acesso (ao tratamento)”, afirmou o médico, mencionando dificuldades logísticas de moradores de diferentes cidades, inclusive no interior do Amazonas, chegar até a capital em viagens, por barco, que podem durar dias.

Segundo o médico, a dificuldade de acesso é enfatizada pela necessidade de realizar várias sessões de radioterapia, dependendo do tumor do paciente que é tratado. Campana disse que pacientes podem fazer de 25 a 30 sessões de radioterapia, em casos de tumores na mama, ou até 38 sessões do tratamento em pacientes com câncer de próstata. Segundo o médico, o tratamento dura um mês e meio, em média, em sessões diárias de segunda a sexta.

Em nota, enviada por meio de assessoria de imprensa, a FCecon informou que são três equipamentos de radioterapia, atualmente, disponíveis para tratamento de câncer: a de cobalto, o acelerador de partículas e um aparelho de braquiterapia. Conforme a FCecon, a fundação receberá um acelerador linear doado pelo Ministério da Saúde e a obra, para abrigar o equipamento, iniciou no segundo semestre do ano passado e está 85% executada.

A FCecon informou, também, que a instituição comprou mais um aparelho de braquiterapia de alta tecnologia que deve passar a funcionar assim que seja entregue pela empresa fabricante, localizada nos Estados Unidos. Este equipamento, conforme a FCecon, é destinado a tratamento de pacientes com alguns tipos de câncer de colo uterino.

Conforme a fundação, o hospital oferecia, ano passado, antes da inauguração do acelerador linear, cerca de 120 vagas para tratamento, por dia, de radioterapia. Atualmente, conforme a instituição, são 200 vagas e, com a inauguração do aparelho, prevista para este ano, a quantidade de vagas chegará a 300.  


Plano nacional

Criado em 2013, o Plano de Expansão da Radioterapia por meio do SUS, do Ministério da Saúde,  prevê a implantação de 80 soluções de radioterapia, as quais contemplam a elaboração de projetos executivos, a construção de bunkers (abrigos) e instalação de aceleradores lineares em 80 serviços de saúde públicos e filantrópicos.

O Ministério da Saúde informou, por meio de assessoria de imprensa, que as soluções exigem espaço com características distintas das construções tradicionais de estabelecimentos e unidades de saúde, envolvendo, por exemplo, sistemas de climatização, refrigeração da água e sistema elétrico à espessura das paredes e densidade do concreto específicos para cada caso.

Conforme o Ministério da Saúde, os equipamentos somente serão fabricados, importados e efetivamente pagos quando as obras dos bunkers estiverem prontas para recebê-los.

Com a criação do plano, conforme o Ministério da Saúde, o governo brasileiro, em outubro de 2013, realizou a compra pública  de aceleradores lineares, um total de 80 soluções, sendo 37 projetos de ampliação e 43 novos projetos de criação de serviço de radioterapia. Com o valor final de R$ 119,9 milhões, segundo informou a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, a vencedora do pregão foi a empresa norte-americana Varian Medical Systems, fabricante mundial de dispositivos médicos, e de software de tratamento de câncer.

O Ministério da Saúde informou, também, que estão em funcionamento dois aceleradores lineares do plano, em Campina Grande, na Paraíba, e em Feira de Santana, na Bahia. Conforme o Ministério da Saúde, outros 20 equipamentos devem ser entregues durante o ano de 2017 e um deles foi  encaminhado ao Amazonas.

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