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Notícias / Saúde

AM registra aumento no número de mortes por Aids

Quantidade de novos casos da doença teve queda de 33% no ano passado, mas o número de mortes subiu 24%. Mais de 100 unidades de saúde oferecem teste rápido para o vírus, em Manaus

domingo 5 de março de 2017 - 7:00 AM

Gisele Rodrigues / portal@d24am.com

Teste rápido está disponível em unidades de saúde em Manaus. Foto: EBC

Manaus - A quantidade de novos casos de contaminação por HIV/aids caiu 33%, mas mortes em decorrência da doença aumentaram em 2016, segundo dados do Sistema de Informações Operacionais e Epidemiológicas (Vigweb). Ao todo, 360 casos foram registrados na Fundação de Medicina Tropical (FMT), em 2016, no ano anterior foram 536. Conforme o Vigiweb, o número de mortes aumentou 24%, fechando o ano de 2016 com 278 mortes.

Este ano, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) distribuiu, durante o carnaval, cerca de 500 mil preservativos masculinos. Como medida para a prevenção e melhor tratamento, o órgão informou que em mais de 100 unidades de saúde da rede municipal a oferta do teste rápido para HIV, sífilis e hepatites B e C e a vacinação de meninas e meninos contra o vírus HPV está sendo intensificada. 

Conforme o Ministério da Saúde (MS), ter conhecimento do contágio pelo HIV precocemente aumenta a expectativa de vida do soropositivo. Já as mães soropositivas, segundo o ministério, têm 99% de chance de terem filhos sem o HIV se seguirem o tratamento recomendado durante o pré-natal, parto e pós-parto.
Sífilis 

Casos novos de sífilis também apresentaram um aumento de 29% no ano passado, quando comparado com o ano de 2015.

Segundo os dados da FMT, cerca de 1.421 pessoas receberam diagnóstico positivo para a sífilis na unidade, no ano anterior foram 1.102 diagnósticos. 

Segundo o médico urologista Rafael Buta, a doença, se não tratada, pode espalhar-se pelo corpo e causar lesões neurológicas. Já o HPV é a principal causa de câncer de colo de útero nas mulheres e também está relacionado ao câncer do canal anal tanto no público masculino quanto no feminino.

De acordo com o médico, passado o período de folia são recorrentes no consultório episódios de gonorréia e a clamídia, que causam uretrite no homem e doença inflamatória pélvica na mulher. Para o médico, além destas, o HPV, a herpes e a sífilis são consideradas doenças comuns após o paciente ter relação sexual sem o uso de preservativo. 

Conforme o urologista, qualquer ferida que surja na área genital pode indicar a incidência de alguma Doença Sexualmente Transmissível (DST). No caso de aparecimento de ínguas, bolhas, feridas, coceira e odor diferente, o médico orienta buscar o serviço de saúde imediatamente. Ardência na hora de urinar e corrimentos também são sintomas sugestivos de doenças, segundo Buta.

A chefe do Núcleo de Controle das IST/AIDS e Hepatites Virais da Semsa, assistente social Giane Duarte de Sena, informou que as ações são reforçadas na época do carnaval, mas que as unidades de saúde executam durante todo o ano estratégias de prevenção e detecção precoce das DSTs, incluindo os exames para o diagnóstico.

 

Doença cresce entre os homens e reduz entre as mulheres

Apesar da reducação no Amazonas, dados do Ministério da Saúde (MS) revelam que o número de casos de HIV/aids tem aumentado entre os homens. Enquanto, em 2006, a razão era de 1 caso em mulher para cada 1,2 caso em homens, em 2015, o cenário passou a ser 1 caso em mulher para cada 3 casos em homens.

Além disso, os casos em mulheres apresentam queda em todas as faixas etárias, sobretudo entre as que têm de 25 a 29 anos. Em 2005, eram 32 casos para cada 100 mil habitantes.  Em 2015, esse número chegou a 16 casos por 100 mil habitantes. Já entre jovens do sexo masculino, a infecção cresceu em todas as faixas etárias. Dos 20 a 24 anos, por exemplo, a taxa de detecção subiu de 16,2 casos para cada 100 mil habitantes em 2005 para 33,1 casos em 2015.

Os números mostram que jovens de 18 a 24 anos permanecem como o grupo mais vulnerável em meio à epidemia no País. Apesar do diagnóstico tardio ser menor nessa faixa etária, entre os que são soropositivos, 74% buscaram algum serviço de saúde, apenas 57% estão em tratamento e 47% tiveram carga viral suprimida.

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