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Notícias / Saúde

Teste do coraçãozinho diminui morte de crianças no 1º mês de vida

O teste do coraçãozinho ainda é novidade no Brasil e foi referendado, em janeiro deste ano, pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

terça-feira 3 de julho de 2012 - 10:45 AM

Teste rápido pode ajudar a salvar vidas de recém-nascidos Foto: Divulgação

Um aparelho que mede o nível de oxigênio no sangue de recém-nascidos apenas pelo contato com a pele pode ser a diferença entre diagnóstico e tratamento ou morte de bebês, em até 30 dias. O alerta é do médico pediatra e neonatologista Alexandre Miralha, da Maternidade da Samel. Ele defende que o chamado teste do coraçãozinho, ou teste de oximetria de pulso, torne-se obrigatório em todas as maternidades do Amazonas para reduzir ‘casos evitáveis’ de mortalidade infantil.

O médico explica que a realização do teste aponta a existência de doenças cardíacas graves que podem levar à morte do bebê entre uma semana e um mês, dependendo da doença. “Entre as (doenças) graves do coração, as comuns em bebês são tetralogia de Fallot e transposição das grandes artérias. Ambas são má formação do coração e só se manifestam após 48h de vida, quando a mãe já teve alta”.

A manifestação da doença é tangível somente nos equipamentos médicos específicos. “Aparentemente a criança está saudável. Mas se ela tiver alguma dessas doenças, pode morrer ‘da noite do para o dia’. Não há sintomas. Por isso, a necessidade de fazer o teste logo depois do nascimento, antes de mãe e bebê deixarem o hospital”, pontua o neonatologista – especialista médico que trata de recém-nascidos até o 28º dia de vida.

 O teste do coraçãozinho ainda é novidade no Brasil e foi referendado, em janeiro deste ano, pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), quando os representantes dos departamentos científicos de cardiologia e neonatologia da instituição redigiram um consenso técnico para realização da oximetria de pulso, importante para o diagnóstico precoce de cardiopatia congênita crítica.

“A criança desenvolve um quadro de choque e/ou de hipóxia (falta de oxigênio) e não há tempo hábil para atendimento. Ela acaba morrendo. Até 40% dos bebês com problemas cardíacos graves recebem alta das maternidades sem diagnóstico. Temos que descobri-los no berçário e o primeiro passo é, sem dúvida, a oximetria”, afirmou o presidente do Departamento de Cardiologia da SBP, Jorge Afiune, acrescentando que oito entre mil nascidos têm problemas cardíacos congênitos e desses, dois são casos graves que precisam ser reconhecidos o mais rapidamente possível.

O teste de oximetria de pulso não substitui outros exames para detectar doenças do coração, como o ecocardiograma. “O teste do coraçãozinho é um exame de triagem, assim como o teste do pezinho e da orelhinha. Se o teste indicar doença cardíaca, levamos a criança para fazer ecocardiograma ou outro exame e assim temos a confirmação para iniciar o tratamento imediato”, explicou Miralha.

Obrigatório

O teste do coraçãozinho já é obrigatório em alguns Estados, sendo Mato Grosso do Sul o pioneiro, mas não há ainda uma legislação federal. O Projeto de Lei (PL) nº. 484/2011, de autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG), que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), incluindo vários testes de triagem neonatal de rotina, dentre os quais o da oximetria de pulso, está em tramitação na Câmara dos Deputados, na Comissão de Seguridade Social e Família.

A deputada Teresa Surita (PMDB/RR) deu parecer favorável pela aprovação com substitutivo no dia 9 de março deste ano. Desde então, o projeto está pronto para ser votado na Comissão de Seguridade Social e Família. 

Na prática, o aparelho que mede o nível de oxigênio na mão direita e no pé direito ou esquerdo da criança pelo toque. “Não há necessidade de inserir agulha ou qualquer coisa do tipo. Basta encostar o medidor na pele da criança, por alguns segundos. É um procedimento rápido e indolor”, disse o médico neonatologista da maternidade da Samel.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o teste para todos os recém-nascidos, mesmo para prematuros, sem distinção. O equipamento é pequeno, de fácil manuseio e deve estar em maternidades e Unidades de Terapia Intensivas (UTIs) neonatais.

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