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Amazonas Energia flagra três 'gatos' em galpões de escolas de samba de Manaus

Não foi possível saber se todos os galpões recebiam energia irregular, pois os responsáveis pelos locais não autorizaram a entrada da equipe da Eletrobras.

terça-feira 14 de janeiro de 2014 - 12:23 PM

Amazonas Energia flagra três 'gatos' em galpões de escolas de samba de Manaus. Foto: Michael Dantas/ Acervo-DA

Manaus - Durante operação da Eletrobras Amazonas Energia, realizada na manhã desta terça-feira (14), foram encontrados três “gatos” (ligações de energia clandestinas), nos galpões das escolas de samba, na Avenida do Samba, ao lado do Sambódromo, bairro Alvorada, zona centro-oeste de Manaus.

As ligações eram feitas a partir de um transformador da subestação do Alvorada, através de ligações por  ‘pétalas’ e pelo esgoto. Além do consumo irregular, constatou-se a exposição dos condutores e da fiação em meio a vegetação, conectada ao pé de um poste que atende a avenida.

Não foi possível saber se todos os galpões recebiam energia irregular, pois os responsáveis pelos locais não autorizaram a entrada da equipe da Eletrobras.

“O desvio de energia a partir do transformador entrava em um dos galpões, mas como não conseguimos o acesso não deu para fazer a verificação se todos os galpões estavam recebendo o fornecimento da energia clandestina. Nas outras duas situações, se verificou condutores entrando nos galpões através dos esgotos e pelas ‘pétalas’, com fiação exposta e causando insegurança”, disse o assistente da diretoria comercial da Eletrobras e responsável pela operação, Geraldo Alves.

As ligações foram desligadas pela equipe da Amazonas Energia. Conforme Alves, para que o fornecimento volte aos galpões, é necessário a iniciativa dos responsáveis. “Eles precisam procurar a empresa, reafirmando se querem ou não a energia de volta. Como essa energia está irregular, a iniciativa é deles”.

Um procedimento administrativo será feito e distribuído aos responsáveis pelos galpões. A aplicação de uma multa só se dará após análise das informações encontradas hoje. "Serão analisadas para saber se é possível estabelecer os valores a serem ressarcidos à empresa. É possível que seja apresentado valores relativos ao consumo indevido de energia que foi indevidamente faturada. Porém, esse é um valor que não dá para precisar no momento”, explicou Alves.

O assistente explicou ainda que as três situações apresentavam risco considerável de acidente, curto circuito e até um sinistro, podendo se intensificar por conta da quantidade de material inflamável existente nos galpões.

Presente no momento do corte da energia, o presidente da Escola de Samba Sem Compromisso, Carlos Ramalhosa, contou que os ‘gatos’ foram feitos para a ligação de um freezer no galpão.

“A fiscalização é correta, mas deveria ser feita antecipadamente, estamos na véspera do Carnaval e esse corte prejudica todas as escolas. Não estávamos cientes das irregularidades. Os pontos foram instalados para ligar um freezer, que estava com os mantimentos do pessoal que trabalha na limpeza dos barracões. O pessoal tem que comer e precisa de um local para guardar as coisas. Eles improvisaram, nós nem sabíamos. Espero que a energia volte logo, pois o Carnaval já está comprometido”, disse Ramalhosa.

Ministério Público do Trabalho também encontrou irregularidades

Esta não é a primeira irregularidade encontrada nos galpões das escolas de samba neste ano. No último dia 9, o Ministério Público do Trabalho no Amazonas (MPT-AM) constatou que quase todas as obrigações assumidas no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado em abril de 2013, continuam sendo descumpridas pelas agremiações.

O TAC entre o MPT e as escolas, que compunham o grupo especial em 2013, foi assinado em abril do ano passado. Todas as agremiações se comprometeram a cumprir e adequar itens como o registro formal de trabalhadores, regulamentação de horários de trabalho, a segurança das instalações físicas, além de itens como ‘manter os locais limpos e desprovido de odores’.

No caso deste último, todas as escolas descumpriram o padrão de higiene aceitável. Cada uma assinou entre 10 a 12 itens de compromisso.

Foram fiscalizadas as escolas Mocidade Independente de Aparecida, Balaku Blaku, Grande Família e Sem Compromisso. O MPT identificou irregularidades em todas. No caso do descumprimento total dos TACs, as escolas podem ser condenadas a pagar de R$ 80 mil a R$ 104 mil, sem considerar a multa de R$ 1 mil adicional para cada trabalhador potencialmente lesado.

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