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Na capital, Quilombo Urbano celebra conquistas e combate ao racismo com ações culturais

A festa, que já é tradicional no bairro Praça 14, contou com danças, feijoada, roda de capoeira e samba, além de pinturas e artesanato

domingo 20 de novembro de 2016 - 4:30 PM

Asafe Augusto / portald24am@gmail.com

De acordo com a presidente das Crioulas do Quilombo de São Benedito, o evento na comunidade já é comemorado há seis anos. Foto: Eraldo Lopes

Manaus - Conquistas, luta por igualdade e combate ao racismo foram celebrados pela comunidade negra de Manaus, neste domingo (20), Dia da Consciência Negra, no Quilombo Urbano no Barranco de São Benedito, no bairro Praça 14 de Janeiro, zona sul de Manaus, com danças, feijoada, roda de capoeira e samba, além de pinturas e artesanato.

A festa, que já é tradicional no bairro, tem, neste ano, o objetivo de não destacar o sofrimento dos negros, mas sim as conquistas, realizações e a resistência da comunidade afrodescendente.

De acordo com a presidente das Crioulas do Quilombo de São Benedito, Keila Fonseca, o evento na comunidade já é comemorado há seis anos. Ela lembra que, em 2014, o Barranco de São Benedito foi certificado como quilombo urbano. “Não estamos aqui para apenas lembrar o que o negro sofreu, mas sim o que foi conquistado ao longo dos anos. Hoje, o negro já conseguiu muito espaço, autonomia e cargos de chefia. O negro já provou que é capaz. Porém, o que mais vemos ainda é o preconceito”, disse.

A líder das Crioulas do quilombo afirma que as pessoas não devem apenas lembrar dos negros no dia 20 de novembro, pois a luta é incessante por melhorias de políticas que respeitem a diversidade. “Não é só em um dia, por isso, a comunidade quilombola está constantemente salientando que o negro é importante e isso deve ser ressaltado no Brasil e no mundo”, afirmou Keila, acrescentando que, apesar das conquistas, o negro ainda tem papéis fúteis em novelas e é mostrado na mídia como apenas um sofredor. 

 

Ações culturais foram realizadas neste domingo (20), Dia da Consciência Negra, no Quilombo Urbano no Barranco de São Benedito, no bairro Praça 14. Foto: Eraldo Lopes

 

“A realidade é que nós somos resistentes e estamos conquistando nosso espaço. O negro não é aquela pessoa que só lava, passa e cozinha. Nós temos aqui em nossa comunidade, por exemplo, de psicólogos a advogados”, disse a líder, com bastante entusiasmo. 

Com um olhar no presente e futuro, o representante da Associação do Movimento Orgulho Negro do Amazonas (Amonam), Cristian Rocha, afirmou que a celebração do Dia da Consciência Negra traz à tona a história. De acordo com ele, um ser humano que não sabe sua história não tem raiz.   

Ele destacou que o movimento negro não tem o devido apoio do governo, e frisou que a sociedade ainda é preconceituosa, racista e discriminatória. “Não só uma reclamação atoa. Hoje ainda existem casos de racismo, existem pessoas que sofrem pela cor da pele”, disse. 

De acordo com ele, as pessoas esquecem que o negro trabalhou na manutenção do Brasil. Ele afirma que o país tem uma dívida social que precisa ser reparada. “Precisamos de políticas públicas adequadas. Ou seja, quilombo urbano, cotas raciais para o ensino superior”, afirmou o presidente da Associação.

“É triste, mas a discriminação ainda existe. Nos últimos dias as pessoas só foram se dar conta do racismo porque um ator de novela fez uma denúncia. Houve o caso da jornalista que foi descriminada. É preciso alguém de televisão ser discriminado para as pessoas caírem na real?”, indagou. Para Cristian Rocha, o investimento na educação é o caminho para derrotar o racismo.

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