comments powered by Disqus
Plus / Games

Gamer amazonense diz viver sonho no CBLoL

Mais jovem cyber-atleta a disputar uma partida do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLol), pela empresa KaBum! e-Sports, Alexandre ‘TitaN’ Lima fala sobre a experiência nacional

domingo 16 de abril de 2017 - 2:00 PM

Diogo Rocha / portal@d24am.com

Alexandre ‘TitaN’ Lima foi convocado às pressas para a disputa do CBLol. Foto: Divulgação/KaBum! e-Sports

ManausHá mais de um mês morando em São Paulo, o jovem amazonense Alexandre ‘TitaN’ Lima, de apenas 16 anos, está vivendo um sonho. Ele é o mais novo cyber-atleta da equipe KaBum! e-Sports para jogar profissionalmente League of Legends (LoL), famoso game multiplayer de batalhas. Em março, TitaN, que já era conhecido na região Norte no circuito de games, foi convocado às pressas pela empresa de Limeira (SP) para disputar o Campeonato Brasileiro (CBLoL).

Ele deixou Manaus, acompanhado do pai Alexandre Oliveira, que também joga Lol e se tornou o maior incentivador na carreira do filho. A equipe da KaBum! acabou em penúltimo lugar no CBLoL e rebaixada para o Circuito Desafiante, a segunda divisão do campeonato. Mas a experiência empolgou Alexandre Lima, que não deseja voltar tão cedo para a terra natal como revelou em entrevista à REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC), por e-mail.

RDC - Você é o jogador mais jovem a competir em uma edição do Campeonato Brasileiro (CBLoL). Quais qualidades ou características que considera que o torna um player prodígio? Você costuma ser muito autocrítico?

Titan - Vamos lá, qualidades eu diria a autoconfiança e autoestima altas, já que ambas, se acabam, podem te fazer desistir. Dentro das características, dou como exemplo a determinação, força de vontade para continuar - especialmente diante de críticas que irão aparecer depois de atingir o que queria - além de sempre ter humildade. Eu não costumo ser autocrítico, já que acho que não posso somente ver meus erros e apontar, e sim devo compartilhar com meus parceiros e permitir que eles entrem nessa questão. Dessa forma, fico mais tranquilo quanto ao retorno e exatamente não é necessário ser autocrítico.

De que forma seu pai foi importante para influenciar e desenvolver seu talento em jogos, como League of Legends (LoL)?

O meu pai foi importante desde que comecei esse jogo, com apenas 9 anos de idade. Ele sempre teve preocupação quanto a ficar muito tempo fora de casa ou até mesmo medo de eu seguir outro caminho. Além disso, desde menor, ele me apoiou em tudo que fiz. Meu pai foi e é a minha peça fundamental para desenvolver o meu talento.

Como era sua rotina de treinamento, em Manaus, para competir nos games? Dava para conciliar bem com os estudos no colégio?

Sobre a minha rotina, era um pouco conturbada pelo fato de mal ter tempo, e claro, conciliar a escola com o jogo (League of Legends). Eu sempre disse que faria tudo o que fosse necessário para ser um pro player e, às vezes, você precisa sacrificar algo para poder obter o que você mais deseja. Minha rotina consistia em acordar às 6h, ir ao colégio, voltar para minha casa por volta das 12h e, após uma hora de intervalo para tomar banho, merendar ou almoçar, começava os treinos. Esse preparo durava toda a tarde, se prolongando até a noite. Era bastante cansativo, tanto fisicamente quanto mentalmente. Eu saía do computador e ia jantar e ir pra minha cama, ou seja, uma rotina intensa.

Como avalia o nível técnico dos jogadores e das competições de games, em Manaus? Existe uma boa estrutura para competir? A quantidade de players tem crescido em Manaus?

Vou usar o exemplo do futebol. Pense no técnico do Barcelona contra um time da Série B do Brasil. Essa é a diferença que eu apontaria. Grande, não? Quando estava saindo de Manaus, os jogadores locais estavam criando iniciativas para construir um cenário melhor. Sempre enfrentamos muitas dificuldades, a exemplo das vezes em que jogávamos ao lado de caixas de sons que atrapalhavam a comunicação. Antes de sair de Manaus, eu havia jogado um campeonato da Games Norte, que foi o único que joguei sem problemas. Quanto aos players, como eu sempre ganhava os campeonatos da região, o pessoal muitas vezes se desmotivava. Acredito que isso ocorria pela falta de incentivo e pensamento pessimista. Depois que me mudei e vim jogar pelo KaBuM! e-Sports, percebi que a maioria dos players de Manaus voltou a jogar e, pelo que vejo daqui, estão treinando mais para buscar a vitória no campeonato. Espero que o competitivo tenha melhorado.

Você ficou surpreendido com sua convocação para a equipe KaBuM! para disputar logo a maior competição do País de LoL? Como tem sido a experiência no grupo?

Sim, fiquei surpreso! Até pela posição em que estava, como reserva. Mas, não perdi as esperanças e disse ao meu pai que eu estava disposto a entrar em qualquer equipe, desde que me dessem motivo para acreditar e continuar a viver o meu sonho. Nas equipes em que entrei, no passado, tive muitas promessas não cumpridas. Foi quando, ao retornar da aula, durante a noite, meu pai me falou para arrumar minha mala, que eu já iria viajar. Eu não esperava e fiquei paralisado por um momento, sem acreditar que aquilo era real e que eu iria viajar às 2h da madrugada. E, quer saber? Eu chorei bastante de felicidade, mas por outro lado fiquei um pouco triste de deixar meus pais. É realmente uma decisão difícil de lidar. No entanto, a experiência é algo inigualável, com tal estrutura e nível de competitividade.

Na KaBum!, você mudou de função no LoL passando de AD Carry (atirador) para Mid Laner (central). A transição foi fácil?

Não, eu vinha com tudo para jogar a Challenger Series. Inclusive, a equipe que eu ia representar, a MAZE, que hoje é Merciless, se qualificaram e estou muito contente. Com certeza foi difícil, porque eu precisava de tempo para me adaptar à função. O que mudou foi a maior responsabilidade, a necessidade de mais comunicação, pushs de waves, wave control, quando saber ir para as sides e ser mais proativo. Meu desempenho, avalio junto com a equipe, mas acho que, mesmo não estando em minha role, tive uma participação muito legal, graças à confiança que tiveram em mim e a segurança que minha equipe me passou dentro do jogo.

Você acredita que carreira de jogador profissional de games é rentável? Quais são as expectativas? 

Sim, dá pra viver muito bem, com certeza! Minhas expectativas? Eu sempre gostei de começar de baixo, como uma equipe unida, e crescer para ser campeão do CBLoL, assim como todos os atletas que jogam profissionalmente desejam. No entanto, neste momento estou mais focado no que vou fazer e como vão ser as coisas daqui pra frente. Eu sou novo ainda e as condições ideais para seguir na carreira são exatamente as que tenho hoje na KaBuM! e-Sports, que é uma grande organização.

O treinamento deve seguir, em Manaus? Qual deve ser a próxima competição que disputará?

Tenho um contrato vigente com a KaBuM! e-Sports e atualmente estou morando em São Paulo, na Gaming House da equipe. Não pretendo voltar para Manaus, pois os maiores campeonatos do País são realizados em São Paulo. A próxima competição a ser disputada será o Circuito Desafiante, que permite a classificação para o CBLoL.

VEJA TAMBÉM NO D24am