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Chef mineiro Daniel Francisco explica os pilares da ‘Comida Ecológica’

A ‘Comida Ecológica’, termo criado há 15 anos pelo chef, vem ganhando cada vez mais força graças aos benefícios apresentados ao longo de sua prática

domingo 26 de fevereiro de 2017 - 8:15 AM

Bruno Mazieri / portal@d24am.com

Assis só teve o insight para a criação do programa após adquirir um cansaço crônico e pedra nos rins. Foto: Divulgação

Manaus - Qualidade de vida por meio do consumo de comida viva, ou seja, mais próxima do seu estado natural. Este é o objetivo do projeto ‘Comida Ecológica’, desenvolvido pelo chef mineiro Daniel Francisco de Assis, há 15 anos. Formado em Engenharia Ambiental pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), ele teve seu primeiro contato com a alimentação quando morou na Europa (Inglaterra e Espanha).

“Saí do Brasil com o intuito de aprender inglês e espanhol, mas, chegando lá, percebi o nível de vida saudável, pois passei a ter acesso a restaurantes que trabalhavam com comidas vivas, o que, inclusive, foi tema da minha monografia na graduação. A partir disso, comecei a trabalhar com ‘lixo orgânico’, fazendo compotas caseiras, que são bem melhores que alimentos enlatados, por exemplo”, explica.

Mas engana-se quem acha que o projeto surgiu nesse momento. Assis só teve o insight para a criação do programa após adquirir um cansaço crônico e pedra nos rins. “Nessa época, eu morava no Morro da Rocinha, no Rio de Janeiro, e quando eu ia jogar meu lixo fora, ele era o menor. Pois quando se torna mais saudável, mas se ajuda o planeta”, ressalta.

 

 

Mas, para dar vida ao ‘Comida Saudável’, o chef de cozinha precisava de ‘pilares’ e escolheu seis deles para sustentar seu estudo: cru (porque a questão térmica não irá influenciar na atividade enzímica do alimento); vegano (pois elimina o consumo de produtos de origem animal); maduro (o alimento verde atrapalha a absorção dos nutrientes); orgânico (evita o consumo de agrotóxicos); fresco (consumo logo após a colheita); e integral (ingestão em seu estado original).

Entre os benefícios da alimentação mais que saudável estão: melhoria nos odores do corpo e na qualidade do sono; ajuda na perda de peso; benefícios para a pele e os cabelos; fortalecimento do sistema imunológico; e aumento da disposição física e mental.

Com isso, segundo Assis, o corpo humano passar a potencializar a sua energia vital. “Quando um comerciante compra uma fruta, ela deve ser colhida verde, o que atrapalha sua maturação, fazendo com que 50% dos nutrientes sejam perdidos. Além disso, a absorção de vitaminas é menor e atrapalha, ainda, a digestão. Não consumir alimentos vivos é igual ração barata de cachorro. O sistema digestivo vai funcionar, mas o que ele vai absorver é nada”, compara.

 

Diferenças

Porém, apesar de todos os ‘conceitos’ veganos e vegetarianos, o chef afirma que existem diferenças. “O vegano compra hambúrguer americano ou uma pastilha do Rio Grande do Sul e deixa de consumir aquilo que é produzido na sua região. O gasto energético colocado para que esse alimento chegue ao seu destino final é gigante. E isso sem falar na priorização do mercado local, fazendo com que o dinheiro fique no próprio lugar e fortaleça a economia de uma cidade ou um Estado”, diz ele.

O ‘Comida Ecológica’, que pode facilmente ser tratado como um estilo de vida, está sendo difundido no mundo por meio de políticas públicas. Na Alemanha, por exemplo, já é um realidade e está ganhando cada vez mais adeptos. “No Brasil existe uma lei em que as merendas escolares devem ser adquiridas em boa parte de produtores regionais. Mas, acredito que falta mais fiscalização”, ressalta.

 

PANCs

Daniel Francisco de Assis, que já esteve em Manaus, lembra que o Amazonas possui um dos nomes mais fortes no que diz respeito às Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs): o professor do Instituto Federal de Educação do Amazonas (Ifam) e biólogo Valdely Kinupp. “As PANCs são, vulgarmente falando, mato. Pois tudo o que você tem que explicar não é convencional. Logo, elas são matos que podem ser consumidos tranquilamente”.

Porém, para que cada um saiba o que pode e o que não pode ser ingerido e incorporado no hábito alimentar, é preciso que seja feito um estudo aprofundado. “Inclusive, o professor Kinnup lançou um livro com Harri Lorenzi, chamado de ‘Plantas Alimentícias Não Convencionais no Brasil’, que mostra de forma clara algumas das espécies que podem ser consumidas. Ele também disponibiliza cursos que facilitam essa diferenciação. Hoje, você encontra PANCs nos lugares mais caros, mas, a partir do momento que você estuda, tudo muda. É uma febre nacional”, comenta.

Para conhecer um pouco mais sobre o curioso universo saudável das comidas ecológicas, basta acessar o site www.comidaecologica.com.br.

 

 

Manaus recebe evento com foco em comida ecológica

O chef mineiro Daniel Francisco de Assis será uma das atrações do Festival de Comida Ecológica, evento que será realizado no período de 29 de março a 2 de abril, no Campus Manaus Zona Leste do Instituto Federal de Educação do Amazonas (Ifam).

As inscrições, que já estão abertas, podem ser feitas de maneira exclusiva por meio site https://comidaecologica.com.br/bemvindo/festival/.

Ao longo dos cinco dias de evento, o público poderá conhecer de forma aprofundada o estilo de vida, contará com aulas de culinária com mais de 20 chefes de cozinha do Brasil, palestras com nutricionistas, terapeutas holísticos, médicos e permacultores, além de aprender a reconhecer as PANCs da Amazônia.

Outro nome que estará presente é o professor e biólogo Valdely Kinupp. “Não é pensar somente em couve, alface, tomate e batatas. Há um mundo de outras opções e sabores que podem ser explorados e que são ricos em nutrientes e fibras”, disse Daniel, que afirma ser possível comer pipoca da semente e geleia da flor da vitória-régia.

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