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Mamães de volta à forma sem pressa

Especialistas revelam que manter uma rotina alimentar e exercícios ajuda a retomar a forma após o parto

domingo 28 de agosto de 2016 - 10:30 AM

Kamilla Vieiralves / portal@d24am.com

Existem alguns grupos de alimentos que merecem atenção durante a gestação. Foto: Divulgação

Manaus - Descobrir-se mãe é um processo que acontece bem antes do parto propriamente dito. Começa desde o primeiro dia de gestação. Nesse período tão particular para as mulheres, o tempo passa a ser medido em semanas e na expectativa crescente de conhecer o rostinho do novo ser que elas geram dentro de si. Por isso, o bebê é a prioridade e tudo gira em torno dele. Não é à toa que as mães já nascem malabaristas, tendo que ‘equilibrar’ as milhares de novas funções com uma nova perspectiva: ser mãe e mulher na vida pós-parto.

Para tanto, um dos primeiros passos mais comuns é a busca por retomar a forma física anterior à gestação, tarefa que nem sempre é simples. No entanto, os especialistas garantem: é possível e o segredo pode ser o começo ainda durante a gravidez.

“Ficar grávida não é desculpa para ganhar peso, muito menos para comer por dois”, garante a nutricionista Lívia A. Daniel. “Na maioria dos casos, a mulher que já tem uma boa alimentação, com comida de verdade e poucos industrializados, não terá grandes alterações de sua dieta na gestação”, completa.

Isso porque, de acordo com a nutricionista, o peso ganho na gravidez é natural, mas minimizado nesses casos, o que torna sua queima, posteriormente, quase automática. “A mulher que engravida no seu peso ideal acaba ganhando um pouco de gordura, naturalmente, na gestação. Porém, se a dieta estiver adequada, não houver abusos durante toda a gestação, e se a mulher se exercita com frequência, a quantidade de gordura adquirida é tão baixa, que, logo após o nascimento, tudo volta ao normal”, afirma.

Por isso, existem alguns grupos de alimentos que merecem atenção durante a gestação. “O Ministério da Saúde recomenda que a lactante evite cafeína e derivados, alimentos que causam flatulência com maior frequência, como: brócolis, repolho, feijão e alimentos extremamente gordurosos. Existem estudos que relatam que tirar a lactose da alimentação da puerperal — período que vai do deslocamento e expulsão da placenta à volta do organismo materno às condições anteriores à gravidez — reduz o risco de cólicas e desconfortos intestinais para o bebê”, destaca Lívia.

Os exercícios — que também têm um papel importante nessa equação — são um assunto um pouco mais delicado, especialmente para as mães que escolhem continuar se exercitando durante a gravidez. “Para as mulheres que já praticavam atividade física, é essencial que a continuem, pois ajuda a aumentar o tônus muscular e a preparar a mulher para carregar o peso de um corpo extra, diminuindo as dores nas costas, a fadiga e o inchaço, mas é preciso ficar sempre atenta à intensidade do exercício. Se for alta demais, o fluxo sanguíneo no organismo diminui, reduzindo a passagem de nutrientes e oxigênio para o bebê. Por isso, o ideal é ser sempre acompanhada de um profissional qualificado”, explica a personal trainer Julyana Nascimento.

Assim, com uma combinação de alimentação saudável e exercícios leves, as mamães podem garantir uma gestação saudável. Mas... E após parto, qual é o momento certo de retomar a rotina normal?

“Após o parto normal, que tem recuperação rápida, pode-se voltar às atividades em 30 dias, mas com liberação médica, já que cada caso é um caso. No caso da cesariana, a recuperação é mais lenta, de 40 a 60 dias para retorno às atividades, dependendo do parto”, ensina Julyana Nascimento. 

O tempo até pode parecer longo, mas a maternidade tem alguns segredinhos para ajudar a mulher nesse processo de recuperação. “Logo na primeira hora de vida, o recém-nascido já precisa começar a mamar. Os alimentos que a mãe consome são todos fundamentais para a produção de leite. Não existe leite fraco, o leite materno é um só, portanto, a mulher bem nutrida irá desempenhar esta função com mais facilidade”, explica a nutricionista. “E a cada litro de leite materno produzido, a mulher gasta, em média, 350 kcal”, completa.

Por isso, as profissionais destacam que é essencial respeitar o tempo de transição de cada corpo. “A primeira coisa é saber que não se devem ser feitas dietas restritivas, já que elas não ajudarão a recuperar seu peso. Ao invés disso, o corpo sofrerá um grande estresse, sentindo a falta dos hormônios da gravidez. Além disso, a produção do leite materno é afetada e atrapalha a recuperação do seu corpo, que está precisando de toda a energia possível”, garante a personal trainer. 

“Assim, existem alguns exercícios mais leves para esse período, sempre com o aval do médico, claro. No caso do parto normal, são indicadas caminhadas, corridas, musculação leve, abdominal e alongamentos. Já no parto cesárea, caminhadas leves e moderadas, alongamentos de braços e pernas e exercícios que não façam pressão na região do abdômen”, recomenda Julyana.

Para fazer essa escolha, o ideal é ter o acompanhamento de um profissional e, mais importante ainda, a consciência de que o corpo sofreu mudanças durante a gravidez. “As atividades devem ser escolhidas com muita cautela, já que a mãe precisa de um tempo de adaptação para a nova rotina. É normal que a mulher se sinta mais flácida, após o parto. Os exercícios devem ter enfoque na preservação ou restauração das funções normais da bexiga e intestino, melhoria do tônus muscular, da silhueta e postura, além da prevenção do prolapso genital (queda do útero), inibindo, assim, os riscos de lesões”, ensina a personal trainer.

 

Sentindo o desafio na pele
Esse processo — pelo qual toda grávida passa — acabou mudando a vida da mineira Gabriela Cangussú. Como profissional de Educação Física, ela sempre soube o quanto estar em boa forma era importante. Mas foi na sua segunda gravidez, que ela sentiu na pele as frustrações de lidar com sobrepeso, falta de tônus muscular, dentre outros problemas tão comuns na fase pós-parto. De repente, ela se viu 14 quilos acima de seu peso e sem tempo para se dedicar a uma rotina de exercícios, já que o bebê e seu primeiro filho tomavam a maior parte de seu tempo.

Sem desanimar, ela resolveu fazer dessa situação a solução do problema e passou a desenvolver exercícios focados nas regiões do corpo que mais sofrem com a gravidez: abdômen, quadril, pernas e lombar. 

A treinadora fez do próprio corpo um laboratório, testando dezenas de exercícios, até descobrir os que eram mais eficientes. Criou então séries de aulas para serem executadas em apenas 14 minutos, todos os dias. Tempo suficiente para colocar o organismo nos eixos sem prejudicar a rotina com os filhos.

Após recuperar a boa forma, Gabriela Cangussú passou a replicar sua fórmula em academias. O sucesso com as alunas foi tamanho, que logo surgiu a ideia de criar o ‘Mamãe Sarada’, um programa de treinos online exclusivos para mães. 

Os treinos são focados, especialmente, nas áreas mais afetadas durante a gestação.  “Pegar a criança no colo, tirá-la do berço e colocá-la de volta, carregar a bolsa, levantar e abaixar a todo o momento. Com tantas atividades, a coluna, as costas, os pulsos e os ombros da mulher são muito mais exigidos, então formulei exercícios especialmente para fortalecer essas regiões”, explica a treinadora. 

As aulas também são bem focadas na barriga, uma das partes do corpo mais alteradas na gravidez. “Em algumas mulheres ocorre, inclusive, a diástase, que é o afastamento dos músculos do abdômen. A melhor alternativa para recuperar o abdômen de antes é a atividade física”. Segundo Gabriela, dependendo de cada organismo e do empenho, é possível perder até 350 calorias em apenas uma aula.

No programa, há, também, aulas adicionais onde as mães aprendem a fazer exercícios junto com os filhos. “São aulas superdivertidas e prazerosas, tanto para a mãe quanto para a criança”. Na página do Facebook — www.facebook.com/mamaesarada — é possível assistir a depoimentos reais de mulheres que conseguiram resgatar o corpo que tinham antes da gravidez. “É gratificante acompanhar os resultados reais de mães que já não tinham esperanças para voltar à boa forma e que, hoje, conseguem usar as roupas de antes e seguem um estilo de vida saudável”, conta Gabriela.

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