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Cantigas de roda carregam vestígios culturais de várias gerações, aponta pesquisa

O estudo teve como objetivo identificar vestígios étnicos e culturais em cantigas de roda praticadas nas diversas regiões do Brasil e, particularmente, na região amazônica.

sábado 22 de dezembro de 2012 - 5:30 PM

A prática das cantigas em brincadeira de roda tem grande importância no desenvolvimento da criança. Foto: Marcelo Camargo/ABr

Manaus - As cantigas de roda ultrapassam o conceito de entretenimento na educação infantil e além de lúdicas trazem em seu contexto elementos culturais distintos de muitas gerações. Essa foi uma das constatações da pesquisa de iniciação científica intitulada 'Cantigas de Roda: em busca de vestígios culturais', que foi desenvolvida pela estudante do 8º período do Curso de Pedagogia, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ana Síria Carneiro de Souza, sob a orientação da professora do Departamento de Métodos e Técnicas da Faculdade de Educação da Ufam, Ilaine Inês Both.

A pesquisadora, que é bolsista do Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), explicou que o estudo teve como objetivo identificar vestígios étnicos e culturais em cantigas de roda praticadas nas diversas regiões do Brasil e, particularmente, na região amazônica.

Ela explicou que a pesquisa foi desenvolvida por meio de bibliografias de cunho qualitativo em que foram consultadas, extraídas e analisadas obras de autores que dedicaram seus estudos sobre os contextos que envolvem as cantigas de roda.

Esses autores comprovaram que a prática das cantigas em brincadeira de roda tem grande importância no desenvolvimento da criança, uma vez que além de entreter, ela está relacionada ao estímulo da imaginação, da criatividade e da concentração de memória.

“Por meio do estudo, os resultados do processo de investigação apontaram que as cantigas de roda foram transmitidas de geração em geração, principalmente, por meio da oralidade. No Brasil, as cantigas de roda se ampliaram consideravelmente a partir das mesclas culturais de índios, negros e brancos. Desta forma, essas brincadeiras são mais que atividades lúdicas, trazem em seu contexto elementos culturais distintos de muitas gerações”, ressaltou.

Ela ressaltou que, mesmo com as dificuldades em encontrar registros escritos acerca das cantigas de roda na região Amazônica e no Brasil, os resultados foram satisfatórios, uma vez que foi possível detectar a contribuição, sobretudo, das culturas indígenas, afrodescendentes e lusitanas (portugueses, espanhóis e franceses).

Pesquisa

Souza enfatiza que a ideia da pesquisa, surgiu durante o Curso de Pedagogia, particularmente, nas disciplinas voltadas à Educação Infantil, onde foi colocada em evidências a relevância dos jogos e brincadeiras na formação das crianças. 

Estes estudos revelaram, também, que muitos adultos, em particular familiares e professores, desconhecem o potencial das relações interculturais e o papel dos jogos e das brincadeiras para a aprendizagem e desenvolvimento das crianças.

“Nesta perspectiva, considerei que poderia contribuir para a consciência da diversidade cultural que supostamente permeia as cantigas de roda. Por isso, avaliamos a necessidade de intensificar os estudos e práticas das cantigas de roda com as crianças a fim de que esta valiosa manifestação cultural seja preservada e recriada pelas atuais e vindouras gerações”, explicou.

O estudo teve a duração de um ano e foi apresentado no 21º Congresso de Iniciação Científica da Universidade Federal do Amazonas (Conic/Ufam). O evento aconteceu no período de 10 a 14 de dezembro.

De acordo com a pesquisadora, o estudo foi apresentado, mas ainda não está finalizado, uma vez que sempre fica uma inquietação e questões em aberto e como se trata de uma pesquisa bibliográfica, as possibilidades de dar continuidade em 2013 ao estudo estão sendo consideradas.

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