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Notícias / Amazonas

Governo 'superfatura' obra que homenageia ponte do Rio Negro

O Estado pagou R$ 5,545 milhões pela obra que fica em frente ao Palácio do Governo. O valor é superior ao custo de uma escola de tempo integral.

quarta-feira 9 de junho de 2010 - 10:45 AM

O Estado pagou R$ 5,545 milhões pelo monumento que fica em frente ao Palácio do Governo. Foto: Caio Pimenta

A construtora Etam, empresa privada que mais recebeu dinheiro do governo do Estado em 2008 e 2009, ‘superfaturou’ a obra do monumento e da praça sobre o Igarapé do Franco, na avenida Brasil, bairro Compensa, zona centro-oeste de Manaus, próximo ao Palácio do Governo. O Estado pagou R$ 5,545 milhões pela construção do monumento que simboliza o trajeto de Manaus a Iranduba pela Ponte sobre o Rio Negro.

O valor é pouco inferior aos R$ 5,8 milhões previstos para a construção de uma escola de tempo integral, que fica em frente à praça, com 21 salas de aula, e superior ao gasto no anexo do Palácio do Governo, que custou R$ 5,2 milhões.

Além das salas, a escola também terá uma biblioteca, uma sala de informática, uma quadra poliesportiva e uma piscina. As obras da escola são de responsabilidade da empresa Plastiflex Empreendimentos da Amazônia Ltda. A Construtora Etam foi quem fez o monumento e a praça. O valor dos dois serviços e as empresas responsáveis estão descritos nas placas das obras.

O prédio anexo do Palácio do Governo foi construído em 2008. Trata-se de um prédio de dois pavimentos, com 2,3 mil metros quadrados. O local tem sala de estar íntima para o governador, sala de conforto, auditório com 141 lugares, sala de audiência, duas salas de reuniões e sala de jantar para dez pessoas. A obra também foi feita pela Plastiflex.

A secretária de Infraestrutura do Estado, Valdívia Alencar, justificou o custo do monumento, dizendo que ele foi feito em estrutura metálica e que tem ‘muitas’ toneladas. Os gastos da praça foram necessários, de acordo com Valdívia, para atender a estrutura de sustentação do monumento, feita em concreto armado.

Pagamentos

Em 2008 e 2009, a Etam foi a empresa privada que mais recebeu do governo do Estado. No ano passado foram pagos R$ 258.628.795,26 à construtora e em 2008, foram R$ 100.545.590,16. Em 2007, a empresa recebeu do governo R$ 40.739.219,56. Um total de R$ 399.913.604,98 nos últimos três anos, segundo relatórios apresentados pelo governo ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). O de 2009 foi divulgado na última segunda-feira.

A construtora Etam é uma da empresas do grupo Cameli, administrada no Amazonas por Eládio Cameli, da família do ex-governador do Acre, Orleir Cameli. A empresa também foi acusada de extrair argila irregularmente do município de Iranduba, no Amazonas, como constatou o Departamento Nacional de Pesquisas Minerais (DNPM). De acordo com o órgão, foram retirados 63.600 metros cúbicos de argila, cujo valor é estimado em R$ 390 mil.

Com base no relatório de fiscalização do DNPM, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento administrativo para apurar a extração ilegal de argila pela empresa.

Obra foi idealizada pelo ex-governador

O monumento, segundo a secretária de Estado de Infraestrutura, Valdívia Alencar, foi idealizado pelo ex-governador do Estado Eduardo Braga (PMDB), e tem como objetivo simbolizar o trajeto de Manaus a Iranduba.

A obra do monumento e da praça, disse a secretária, demandou dois projetos básicos. Um para a criação do design do monumento e outro que definiu a base de sustentação do monumento. A praça tem em torno de 400 metros quadrados e foi feita com bancos de concretos. O monumento tem aproximadamente 40 metros de altura.

Está sendo construída uma ponte sobre o igarapé do Franco para dar acesso ao fluxo de veículos da Avenida Coronel Cirilo Neves até a Avenida Brasil.

Valdívia afirmou também que não é possível comparar o custo da obra do monumento ao da escola. Segundo ela, as obras têm complexidades diferentes. Ela explicou ainda que a construção da estrutura de sustentação da praça foi a fase da obra mais cara, porque foi necessário fazer a drenagem e dragagem do leito do igarapé do Franco, o estaqueamento dos alicerces e a aplicação de concreto.

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